L I V R O S
Mulheres
Invisíveis
 
C O L U N A S
Papo Cabeça
O Homem Sedentário
 
BUSINESS
Marketing
Cultura
 
T E X T O S
Cinema
Teatro
Literatura
Baladas
 
BLOG´s Legais
Clarah Averbuck
Gerald Tomas
Allan Sieber
Marcelo  T A S
 
BLOG´LÓQUIOS
 

Well, ainda não tive tempo de fazer essa página. Sorry!

 
Discussão por email ocorrida em meados de Julho

Não querendo por mais lenha na fogueira, mas tenho alguns pontos relevantes a apresentar.

 

Não me venham com exceções, o caso da Débora é um clássico exemplo de como a exceção comprova a regra. Afinal se não fosse uma exceção não estaríamos nem falando nisso.

 

Acho equivocado dizer que as baladas que o Gá freqüenta são caras: Quanto custa o show do Chiclete desse sábado? na hora vai ser uns R$ 120,00 e olha que vai ser no estacionamento. Quanto vcs pagaram num ABADÁ no carnaval em Salvador? tenho amigos que pagaram R$ 800,00. Ainda argumentam que as baladas do pobre Gabriel é que são elitizadas. O Pobre hoje vê o carnaval de Salvador de Longe, os "pipocas" ainda são agredidos quando tentam participar da festa. Que carnaval do povo é esse em que o pobre é separado do rico por uma corda. Nesse ponto o Carnaval do Rio dá um show: é o rico pagando caro para curtir ao lado do favelado. É o gringo milionário no camarote aplaudindo a arte e o samba do pobre e ainda sai dizendo que é o maior espetáculo da terra. As micaretas são nada mais que máquinas de fazer dinheiro. Todo bom marketeiro sabe que a quantidade baixa os custos. Para as micaretas essa regra não funciona, quanto mais gente, mais caro fica o ingresso ou abadá, numa prova clara de exploração de uma onda, como foi a lambada, como foi o pagode e agora parece ser o Aché. Vamos fazer uma simples comparação:

 

O Pequeno Gabriel paga R$ 60,00 para entrar na mais cara boate de São Paulo (LOTUS) E vai vestindo o que quiser. O Rafa paga no mínimo R$ 90,00 por um abadá (numa micareta bem mixuruca hein) com infinitos patrocinadores fazendo uma propaganda involuntária. O Pequeno Gabriel é muito bem atendido por garotas lindas e sorridentes,  cercado de regalias. O Rafa tem que ficar se matando para pegar uma Cerveja, quente e que é servida em copo de plástico. O Pequeno Gabriel, se não estivesse namorando, conhece uma garota e começa a conversar, se ele for mala, sem chance. O Rafa nem conhece a garota e já vai trocando fluidos, costumo dizer que vc conhece primeiro a saliva dela, depois a língua e por ultimo a voz, mais nada, nem o nome que provavelmente é falso, sem falar na possibilidade de conhecer primeiro a saliva do seu amigo que acabou de beijá-la saindo do banheiro onde tinha chamado o bom e velho Mr Hugo. O Pequeno Gabriel passa a noite escutando música de vanguarda, com djs e músicos contemporâneos do mundo todo. Já o pobre rafa tem que ficar escutando aquele som medíocre, em que a música é ruim e um plágio descarado, eles bebem de todas as fontes sem vergonha nem pudor. Nem vou comentar sobre a pobreza poética e da redundância das letras e dos acordes musicais. Por fim o Gabriel pega seu carro, com segurança, com um educado manobrista e o Rafa acaba tem que trocar socos com uns trogloditas que estão socando um dos seus melhores amigos, que já está desacordado no meio da poça de cerveja e mijo que fica no chão.

 

O Engraçado é que os micareteiros não percebem isso. Se tornam tão fanáticos que formam verdadeiras romarias para acompanhar "ASA, chiclete ou Ivete". Vira Religião, o cara não pode perder uma senão fica desesperado, nem chegaram de Salvador e já estão combinando e pagando o próximo ano. Esse fanatismo os torna surdo, pois não conseguem separar o "joio do trigo" na música,  onde alguns artistas são razoáveis e outros são picaretas puros, que pegam musicas conhecidas, fazem uma versão porcaria e estouram de ganhar dinheiro (Alguém pensou em inimigos da HP?).

 

Sei que vcs vão odiar esse sincero desabafo, o problema é que a verdade dói.

 

Abs a Todos

 

Cacá Fernandes

 
Hahahahaha !!!  O mais importante disso tudo é que a discussão que está gerada, a mesa esta aberta pra quem quiser falar !!!
 
Dé, concordo com vc quando vc diz que há exceções, como tudo, nada é regra, mas vc há de convir que a quase totalidade das pessoas que se encontram nesse tipo de lugar são como as descritas pelo reporter, e criticadas por mim !! Sei que o tipo de lugar que eu gosto, e costumava frequentar, não é o melhor dos ambientes, mas acredito que, nele, a profundidade dos assuntos e o conteudo, com certeza são melhores e mais produtivos, tanto do lado cultural, quanto intelectual e musicalmente! Posso te ilustrar diversos exemplos, mais isso é um outro forum.
 
Rafa, as fotinhos só atestam meu conhecimento de causa, e validam que não escrevi nada que não tenha conhecimento !!! Não nego que não tenha me divertido horrores no Carnaval... rsrsrsrsr.... Só que mais uma vez, não é o que eu curto, e tenho minhas razões!
 
Bjs e Abs,
 
Gabriel   
 

Gá e amigos,
 
Lamento dizer que há exceções à regra, ou seja, eu, uma menina linda, corpo escultural, sorriso maroto.... compareço nesses recintos devido à alegria, bagunça, música, artista (Ivete e Chiclete – não vou no Asa pq não gosto da banda), ou seja, não vou pela ‘pegação’, bebida, zoeira..., mas sim pela curtição do show.
 
Já devo ter participado de umas 4 micaretas em SP (fora o carnaval de salvador esse ano – MARAVILHOSOOOO), e posso dizer que concordo com vc ao falar de exaltação do corpo, busca da perfeição, individualismo e ‘escapismo’... mas temos que avaliar que há outros ambientes QUE VOCÊ MESMO CHEGOU A FREQUENTAR, que são bem PARECIDOS com este, e muitas vezes, valorizando as pessoas pela seu montante financeiro e não pelo o que a pessoa tem dentro de si, sem ser dentro do seu bolso... ou vai me falar que nas baladas que você gastava mais de 100 reais numa noite não tem coisas parecidas com as micaretas????
 
Bom, só sei que em Salvador eu aproveitei demaaaais todos os blocos que fui, e só beijei 1 dia... (infelizmente)... isso pq o Edu só foi 1 dia no mesmo bloco que eu!!! Hahahahahaha...
 
E falo mais uma coisa...
 

Bem escrito,  mas pouco conclusivo. Faltou um veredicto, o que mostra a falta de atitude do  repórter 'Pega-ningas'. Talvez com alguma experiência ele um dia consiga ser  um bom repórter, pois conseguiu esmiuçar a natureza de uma micareta com um  diagnóstico preciso, e encontrou a genealogia de tais atos em ótimas palavras.  Resumindo: A CARÊNCIA !

Se quisermos nos aprofundar em uma vã  filosofia de boteco para chegarmos a alguma conclusão, não precisamos ir muito  longe, nem mesmo precisamos deste texto! É só olhar a nossa volta, e veremos  que tais fatos nos circundam no dia-a-dia (vide  eadem)!

O que se vê, o que se houve, o que se faz  nessas festas é apenas a exaltação de um bando de pessoas pobres, sem  auto-estima e amor próprio, e como em uma 'guerra' (como normalmente é  citado), os mais fracos prevalecem, por esconder suas fraquezas através de  alegorias como músculos, maquiagem e sem conversa alguma, apenas com atos  banais e atitudes simplistas.

Sempre me criticaram por não gostar deste tipo de  confraternização, por não gostar das músicas infantis e cheias de metáforas  baratas, por não gostar dos uniformes de 'Bob Esponja' e das bandanas de  empregada, que ajudam a transformar esses pobres meninos ricos em uma ‘rés de  gado’ (ou seria matilha?). Mas acredito efusivamente que show de axé não é  diversão, não é solução para encontrar nada!
 
Tomo o exemplo das  meninas que ‘pegam’ um monte (pois vale pelo todo), sem se importar com quem  ficaram, apenas pela aparência, para ilustrar o individualismo congênito que  está enraizado em nossa sociedade. Elas se conheceram na academia, a exaltação  do corpo, busca de perfeição, distancia da normalidade, conseguinte:  individualismo. Elas vão para a micareta com o intuito de esquecer de amores  passados, escapismo, não querem ter contato prolongado com ninguém, não trocam  telefones, não conversam, conseguinte: individualismo. É esse tipo de pessoa  que queremos ter ao nosso lado? É esse tipo de pessoa queremos amizade? É esse  tipo de pessoa que queremos ver dando os ditames de nosso mundo? Creio que  não!
 
E não me falem que a diversão de uma micareta é a reunião de  amigos para tomar umas, encher a cara e dar muitas risadas, pois isso pode  acontecer em qualquer lugar. Basta ter as pessoas que você gosta, e que gostam  de você ao seu redor.
 
Minha opinião, para curar essa carência as  pessoas deviam se dar mais oportunidades, deixar de lado os pesadelos e o  individualismo, e viver a vida. Aprender que a maior experiência para atingir  alguma coisa, é curtir o dia-a-dia de uma forma diferente a cada dia! E acima  de tudo, ter amigos e amores que pensem da mesma forma, para compartilhar a  vida em geral! Espero que esteja certo...

E é na pena que ficam  minhas palavras, e vão-se minhas  idéias...

Rafa, mandou bem !

Abs,

Gabriel

-----Original  Message-----
From: Rafael  [mailto:rafael51@terra.com.br] <mailto:rafael51@terra.com.br%5d>
Sent:  quinta-feira, 30 de junho de  2005 12:51
To: Debora Rossetti;  Eduardo Pino; Daniel Brodella;  Flavia Lima; Mariana de Lima; Tatiana  Machado; Lima, Gabriel Alvares;  Gabriel
Subject: Uma  micareta..RELATADA...rs!!  

Ahhahaha


Mt boaa   !!!


 

NO REINO DO BEIJO   TCHAU
Conheça o liberalíssimo mundo das micaretas, onde ninguém é  de  ninguém. Entre um axé e outro, você agarra quantas quiser. Sem  perguntar nada,  sem responder coisa nenhuma. Basta beijar e  desaparecer
por Armando  Antenore
fotos: Jegue Boy  
 
 
Já me imaginei capaz de  gestos bizarros - me  inscrever no Show do Milhão e pedir a ajuda dos  universitários;  prometer casa, comida e roupa lavada para a Gretchen dos bons  tempos;  me fantasiar de Chapolin Colorado, seqüestrar meu chefe e lhe   sussurrar, risonho: "Não contava com minha astúcia". Nunca,  entretanto, sonhei  estar ali (e daquele jeito).
Ali: o Sambódromo  de São Paulo. Daquele jeito:  trajando uma camiseta amarela sem mangas,  que me disseram chamar-se "abadá" e  que me deixava parecido com o Bob  Esponja; exibindo na cabeça um lenço de cor  laranja, que me disseram  chamar-se "bandana" e que me deixava parecido com a  faxineira do meu  prédio; usando um largo colar de contas azuis e brancas, que  me  disseram chamar-se "guia dos Filhos de Gandhi" e que me deixava parecido   com o Pai Pércio de Oxalufã.
Não contente, o figuraça aqui ainda   acompanhava um trio elétrico que, no meio de quase 15 mil pessoas,   transportava uma tal Asa de Águia. Pelo tamanho do carro, calculei,  deveria  transportar não apenas a asa, mas a águia inteira (e uma  legião de araras ou  de flamingos). "Está zoando com o nome da banda,  gente boa? Se liga...", ouvi  não sei de quem. Banda antigona,  capitaneada por Durval Lelys, um híbrido de  cantor e tigrão, que fazia  a galera urrar: "O meu remédio, meu amigo/ É tiro e  queda/ Dou a dica  pra você/ É pegar todas/ Arranjar uma namorada/ Em cada  canto que eu  viver/ Casamento não/ Casamento não/ Casamento nana nina nina  não!"  
Sim, velhinho: em plena noite de domingo, o bravo repórter que vos   reporta se encontrava numa genuína micareta. Mais exatamente, no  Carnafaap. A  folia, anual, ocorre desde 2001 por iniciativa dos  diretórios acadêmicos da  Fundação Armando Álvares Penteado, faculdade  que reúne jovens da elite  paulistana. Os cartazes que anunciavam a  edição do último dia 8 de maio  classificavam a coisa como "o maior  evento universitário do país". E  prometiam: vai ter Asa de Águia, vai  ter Babado Novo - grupos que representam  para o axé o mesmo que  Reginaldo Rossi e Waldick Soriano representam para a  música de corno.  
Pensei, mal recebi a missão de cobrir o troço: tremendo  programa  de pataxó (os índios lá da Bahia, ô ignorante!). Não escuto axé, não   danço axé, não entendo necas de axé. Timbalada, por exemplo. Certa  vez, me  perguntaram o que significa. Respondi sem piscar: o doce de  algum fruto  tropical (goiabada, marmelada, timbalada). Errei?
Logo  na porta do  Sambódromo, porém, minha irritação hasteou bandeira  branca. Percebi que a  suposta armadilha poderia se converter em algo  mui interessante. "Micareta não  é festa no apê", alertou-me José  Vitalino Filho, "mas o que rola de  bundalelê..."
O cara dava pinta  de dominar a parada. Baiano de Salvador,  percorre o Brasil num Santana  prata à procura dos carnavais fora de época.  Começou a caça há duas  décadas e agora bate ponto "em uns 100 forrobodós por  ano", de  Florianópolis à Amazônia. "Vou para vender uns negocinhos." Vive de   comercializar pinga com mel e as guias dos Filhos de Gandhi durante "a   bagunça". O goró sai por 3 reais. Cada colar, por 5. Lembram  badulaques que se  compram no centro da cidade, em barracas de camelô.  "Camelô uma vírgula!  Trouxe-os da minha terra. O próprio Filhos de  Gandhi - aquele bloco afoxé que  o ministro Gil admira - os benzeu.  Mandinga de primeira."
 NATY E TICI  

Sagradas ou não, as guias enfeitavam o  peito de  incontáveis foliões que aguardavam para entrar no Sambódromo. Vários   já caíam de bêbados - literalmente. "Iiiih... Queimaram a largada,  deram PT",  zombava uma graciosa morena de olhos verdes. PT? "Perda  total!" Apresentou-se:  "Sou a Naty". Naty Almeida, 25 anos, estudante  de publicidade. Estava com "a  Tici". Ticiana Espíndola, 24 anos,  estudante de marketing.
Loira de olhos  castanhos, corpo impecável,  Tici carregava uma porção de guias no pescoço. "Me  garantiram que  protege", justificou. "Ô se protege", concordou Naty, "protege  de  homem feio! Hoje só vai grudar homem lindo na gente. Só vai grudar cat!" As   duas, unha e carne, conheceram-se numa academia de ginástica. Desde  então,  perseguem juntas o maior número possível de trios elétricos e  se definem como  "guerreiras de carteirinha". "Guerreiras porque, nas  micaretas, o bicho pega.  É guerra! O reino do beijo fantasma, do beijo  tchau. Você beija um e some.  Depois beija outro, outro e outro. Sem se  preocupar em transar, sem papo. Quem  conversa desperdiça o tempo",  explicou Tici. "Nas baladas de axé, ao contrário  das raves, a música  convida à malícia", emendou Naty. "A diversão é beijar 13,  14, 15 em  uma única noite. Beijar e não deixar rastros: no name, no phone, no   sex. Eu mesma só passo o celular quando encontro um fulano que me  agarre de  jeito." De jeito? "Yes! Que me agarre gostoso, que me agarre  firme. Não pode  alisar. Alisou, é bambi..."
Tanto Naty como Tici  já cultivaram namoros  longos. "Looongos de verdade", enfatizou a  morena. "O meu durou sete anos. O  da Tici, nove." Assim que os  compromissos terminaram, ambas decidiram "partir  para a curtição".  Agora têm apenas rolos. Ou "namorandinhos", nas palavras de  Naty. "Não  acredito mais em homem, não acredito mais no amor", proclamou,   enquanto cruzava as catracas do Sambódromo. "Se meu namorado me  enganou e  destruiu uma história de sete anos, o que vou esperar de  futuras relações?"  Tici aproveitou o mote para bancar a filósofa:  "Micaretas são o máximo  justamente porque nos fazem esquecer o mundo  lá fora, as desilusões, os bodes.  Aquela confusão, aquele som, aquele  calor nos tira da órbita e nos transforma.  Me considero, em geral, uma  mulher recatada. Mas, na hora do oba-oba, perco os  pudores. Não me  reconheço. A água vira vinho, sabe como é?"
Sei. Bastou  colocar os  pés dentro do Sambódromo para compreender perfeitamente o que a  dupla  me contava. Havia beijos tchau por toda parte: na pista, nos camarotes,   nos bares, nas filas dos banheiros. Mais do que beijos, havia amassos  tchau.  Os pares, que se formavam e se desmanchavam com a rapidez de um  Schumacher,  pareciam querer se devorar. "Fast food", comentou um rapaz  de boné Von Dutch.  Havia também muito álcool à venda - cerveja e  vodca, principalmente. E havia  frascos e frascos de lança-perfume, que  passeavam de mão em mão, clandestinos.  Só não havia negros. Ou melhor:  havia, mas pouquíssimos. Era um carnaval de  brancos. De garotões  vigorosos e meninas com o cofrinho à mostra, irmanados  pelos abadás  amarelos, que pagaram entre 60 e 130 reais para participar da   zoeira.
 
Quando Naty resolveu atacar, o trio elétrico  alardeava:  "O baiano é um povo a mais de mil/ Tem Deus no coração/ E o  diabo no quadril".  Ela, felina, mirou o cat, um sujeito alto,  musculoso, sem camisa e de bermuda  florida. Chegou junto, lhe  acariciou os cabelos, o tórax, a bunda.  Engoliram-se por uns três  minutos. Separaram-se. "Fiz a pole position! Saí na  frente! Beijei  primeiro que a Tici", comemorou, aos pulos. "Entendeu como  funciona?  Eu avisto, eu desejo, eu pego." Tici, igualmente professoral,   completou: "Aqui, os caras não nos escolhem. Nós os escolhemos".  
Escolhiam  mesmo. Ao longo da noite, um batalhão as abordou - os  mais charmosos e fortes  realmente não falavam nada, apenas as tocavam,  tentando o bote; os mais  desengonçados e fracos adotavam outras  estratégias: ofereciam bebida,  inventavam gracejos ou passos de dança,  ameaçavam laçá-las com as guias dos  Filhos de Gandhi (serviam para  algo, afinal!). Eram as moças, no entanto, que  anunciavam o veredicto.  Se gostavam do pretendente, autorizavam o beijo. Se  não gostavam...  "Você me deixa louca, cat, mas não vai rolar. Estou namorando  sério",  desculpava-se Naty, sonsa como Marilyn Monroe. Tici preferia apalpar o   bíceps do infeliz e fuzilar: "Você tem 42 centímetros de braço? Não  tem? Pena.  Só fico com os que têm..."
 Nenhum dos rejeitados  se zangava. Todos  assimilavam o mico sem traumas. "Posso tomar dezenas  de bolos. Não me importo,  porque uma hora emplaco", dizia Igor Austin,  22 anos, estudante de medicina.  "Olhe ao redor: sobra  mulher."
"Quase madrugada, e não beijei ninguém",  jurou Marcela  Bernardi, 20 anos, estudante de engenharia. Tão bonitinha...   Ninguém?!? "Para me beijar, precisa telefonar antes." Enlouqueceu?  "Pelo  contrário. Em minha primeira micareta, catei um montão de  anônimos. Cinco,  talvez. No dia seguinte, me senti péssima, fútil,  ridícula, igual às outras  beijoqueiras. Acontece que não sou igual!  Por isso, decidi agir diferente.  Quando um menino se aproxima, aviso:  'Você me quer? Então terá de me conhecer  melhor'. Dou um selinho, para  não lhe tirar as esperanças, e passo meu  celular. Caso ele ligue..."  
"Já euzinha...", contrapôs Marina Camargo, 20  anos, amiga de  Marcela. Sem demora, mostrou os braços repletos de pulseiras.  "Vim com  26 no direito. Sempre que pego alguém, transfiro uma para o esquerdo.   Há garotas que trazem carimbo e marcam as 'vítimas'. Outras, à medida  que  beijam, fazem risquinhos de caneta nas mãos. Prefiro o método das  pulseiras."  Àquela altura, fim de festa, ostentava 13 no braço  esquerdo.
O placar de  Naty e Tici acabou por se revelar mais  modesto. Quatro beijos para a morena,  seis para a loira. "Nada mal,  considerando que só aceitamos filé", avaliou  Naty. "E você, repórter,  zerou?" Parece que sim. "Zerar em micareta dá azar."  Verdade?  "Verdade." Bom, ainda me restam as duas... "É, restam." É... Então  tá.  ::
2