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Well,
ainda não tive tempo de fazer essa página. Sorry! |
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Discussão por email ocorrida em meados de Julho
Não querendo por
mais lenha na fogueira, mas tenho alguns pontos relevantes a
apresentar.
Não me venham com
exceções, o caso da Débora é um clássico exemplo de como a exceção
comprova a regra. Afinal se não fosse uma exceção não estaríamos nem
falando nisso.
Acho equivocado
dizer que as baladas que o Gá freqüenta são caras: Quanto custa o show
do Chiclete desse sábado? na hora vai ser uns R$ 120,00 e olha que vai
ser no estacionamento. Quanto vcs pagaram num ABADÁ no carnaval em
Salvador? tenho amigos que pagaram R$ 800,00. Ainda argumentam que as
baladas do pobre Gabriel é que são elitizadas. O Pobre hoje vê o
carnaval de Salvador de Longe, os "pipocas" ainda são agredidos quando
tentam participar da festa. Que carnaval do povo é esse em que o pobre
é separado do rico por uma corda. Nesse ponto o Carnaval do Rio dá um
show: é o rico pagando caro para curtir ao lado do favelado. É o
gringo milionário no camarote aplaudindo a arte e o samba do pobre e
ainda sai dizendo que é o maior espetáculo da terra. As micaretas são
nada mais que máquinas de fazer dinheiro. Todo bom marketeiro sabe que
a quantidade baixa os custos. Para as micaretas essa regra não
funciona, quanto mais gente, mais caro fica o ingresso ou abadá, numa
prova clara de exploração de uma onda, como foi a lambada, como foi o
pagode e agora parece ser o Aché. Vamos fazer uma simples comparação:
O Pequeno Gabriel
paga R$ 60,00 para entrar na mais cara boate de São Paulo (LOTUS)
E vai vestindo o que quiser. O Rafa paga no mínimo R$ 90,00 por um
abadá (numa micareta bem mixuruca hein) com infinitos patrocinadores
fazendo uma propaganda involuntária. O Pequeno Gabriel é muito bem
atendido por garotas lindas e sorridentes, cercado de regalias. O Rafa
tem que ficar se matando para pegar uma Cerveja, quente e que é
servida em copo de plástico. O Pequeno Gabriel, se não estivesse
namorando, conhece uma garota e começa a conversar, se ele for mala,
sem chance. O Rafa nem conhece a garota e já vai trocando fluidos,
costumo dizer que vc conhece primeiro a saliva dela, depois a língua e
por ultimo a voz, mais nada, nem o nome que provavelmente é falso, sem
falar na possibilidade de conhecer primeiro a saliva do seu amigo que
acabou de beijá-la saindo do banheiro onde tinha chamado o bom e velho
Mr Hugo. O Pequeno Gabriel passa a noite escutando música de
vanguarda, com djs e músicos contemporâneos do mundo todo. Já o pobre
rafa tem que ficar escutando aquele som medíocre, em que a música é
ruim e um plágio descarado, eles bebem de todas as fontes sem vergonha
nem pudor. Nem vou comentar sobre a pobreza poética e da redundância
das letras e dos acordes musicais. Por fim o Gabriel pega seu carro,
com segurança, com um educado manobrista e o Rafa acaba tem que trocar
socos com uns trogloditas que estão socando um dos seus melhores
amigos, que já está desacordado no meio da poça de cerveja e mijo que
fica no chão.
O Engraçado é que os
micareteiros não percebem isso. Se tornam tão fanáticos que formam
verdadeiras romarias para acompanhar "ASA, chiclete ou Ivete". Vira
Religião, o cara não pode perder uma senão fica desesperado, nem
chegaram de Salvador e já estão combinando e pagando o próximo ano.
Esse fanatismo os torna surdo, pois não conseguem separar o "joio do
trigo" na música, onde alguns artistas são razoáveis e outros são
picaretas puros, que pegam musicas conhecidas, fazem uma versão
porcaria e estouram de ganhar dinheiro (Alguém pensou em inimigos da
HP?).
Sei que vcs vão
odiar esse sincero desabafo, o problema é que a verdade dói.
Abs a Todos
Cacá Fernandes
Hahahahaha !!! O mais importante disso tudo é que a discussão que
está gerada, a mesa esta aberta pra quem quiser falar !!!
Dé, concordo com vc quando vc diz
que há exceções, como tudo, nada é regra, mas vc há de convir que a
quase totalidade das pessoas que se encontram nesse tipo de lugar
são como as descritas pelo reporter, e criticadas por mim !! Sei que
o tipo de lugar que eu gosto, e costumava frequentar, não é o melhor
dos ambientes, mas acredito que, nele, a profundidade dos assuntos e
o conteudo, com certeza são melhores e mais produtivos, tanto do
lado cultural, quanto intelectual e musicalmente! Posso
te ilustrar diversos exemplos, mais isso é um outro forum.
Rafa, as fotinhos só atestam meu conhecimento
de causa, e validam que não escrevi nada que não tenha conhecimento
!!! Não nego que não tenha me divertido horrores no Carnaval...
rsrsrsrsr.... Só que mais uma vez, não é o que eu curto, e tenho
minhas razões!
Bjs e Abs,
Gabriel
Gá e amigos,
Lamento dizer que há exceções à regra, ou seja, eu, uma menina linda,
corpo escultural, sorriso maroto.... compareço nesses recintos devido
à alegria, bagunça, música, artista (Ivete e Chiclete – não vou no Asa
pq não gosto da banda), ou seja, não vou pela ‘pegação’, bebida,
zoeira..., mas sim pela curtição do show.
Já devo ter participado de umas 4 micaretas em SP (fora o carnaval de
salvador esse ano – MARAVILHOSOOOO), e posso dizer que concordo com vc
ao falar de exaltação do corpo, busca da perfeição, individualismo e
‘escapismo’... mas temos que avaliar que há outros ambientes QUE VOCÊ
MESMO CHEGOU A FREQUENTAR, que são bem PARECIDOS com este, e muitas
vezes, valorizando as pessoas pela seu montante financeiro e não pelo
o que a pessoa tem dentro de si, sem ser dentro do seu bolso... ou vai
me falar que nas baladas que você gastava mais de 100 reais numa noite
não tem coisas parecidas com as micaretas????
Bom, só sei que em Salvador eu aproveitei demaaaais todos os blocos
que fui, e só beijei 1 dia... (infelizmente)... isso pq o Edu só foi 1
dia no mesmo bloco que eu!!! Hahahahahaha...
E falo mais uma coisa...
Bem escrito, mas pouco conclusivo. Faltou um
veredicto, o que mostra a falta de atitude do repórter 'Pega-ningas'.
Talvez com alguma experiência ele um dia consiga ser um bom repórter,
pois conseguiu esmiuçar a natureza de uma micareta com um diagnóstico
preciso, e encontrou a genealogia de tais atos em ótimas palavras.
Resumindo: A CARÊNCIA !
Se quisermos nos aprofundar em uma vã filosofia
de boteco para chegarmos a alguma conclusão, não precisamos ir muito
longe, nem mesmo precisamos deste texto! É só olhar a nossa volta, e
veremos que tais fatos nos circundam no dia-a-dia (vide eadem)!
O que se vê, o que se houve, o que se faz
nessas festas é apenas a exaltação de um bando de pessoas pobres, sem
auto-estima e amor próprio, e como em uma 'guerra' (como normalmente
é citado), os mais fracos prevalecem, por esconder suas fraquezas
através de alegorias como músculos, maquiagem e sem conversa alguma,
apenas com atos banais e atitudes simplistas.
Sempre me criticaram por não gostar deste tipo
de confraternização, por não gostar das músicas infantis e cheias de
metáforas baratas, por não gostar dos uniformes de 'Bob Esponja' e
das bandanas de empregada, que ajudam a transformar esses pobres
meninos ricos em uma ‘rés de gado’ (ou seria matilha?). Mas acredito
efusivamente que show de axé não é diversão, não é solução para
encontrar nada!
Tomo o exemplo das meninas que ‘pegam’ um monte (pois vale pelo
todo), sem se importar com quem ficaram, apenas pela aparência, para
ilustrar o individualismo congênito que está enraizado em nossa
sociedade. Elas se conheceram na academia, a exaltação do corpo,
busca de perfeição, distancia da normalidade, conseguinte:
individualismo. Elas vão para a micareta com o intuito de esquecer de
amores passados, escapismo, não querem ter contato prolongado com
ninguém, não trocam telefones, não conversam, conseguinte:
individualismo. É esse tipo de pessoa que queremos ter ao nosso lado?
É esse tipo de pessoa queremos amizade? É esse tipo de pessoa que
queremos ver dando os ditames de nosso mundo? Creio que não!
E não me falem que a diversão de uma micareta é a reunião de amigos
para tomar umas, encher a cara e dar muitas risadas, pois isso pode
acontecer em qualquer lugar. Basta ter as pessoas que você gosta, e
que gostam de você ao seu redor.
Minha opinião, para curar essa carência as pessoas deviam se dar mais
oportunidades, deixar de lado os pesadelos e o individualismo, e
viver a vida. Aprender que a maior experiência para atingir alguma
coisa, é curtir o dia-a-dia de uma forma diferente a cada dia! E acima
de tudo, ter amigos e amores que pensem da mesma forma, para
compartilhar a vida em geral! Espero que esteja certo...
E é na pena
que ficam minhas palavras, e vão-se minhas idéias...
Rafa,
mandou bem !
Abs,
Gabriel
-----Original Message-----
From: Rafael [mailto:rafael51@terra.com.br]
<mailto:rafael51@terra.com.br%5d>
Sent: quinta-feira, 30 de junho de 2005 12:51
To: Debora Rossetti; Eduardo Pino; Daniel Brodella; Flavia Lima;
Mariana de Lima; Tatiana Machado; Lima, Gabriel Alvares; Gabriel
Subject: Uma micareta..RELATADA...rs!!
Ahhahaha
Mt boaa !!!
NO REINO DO BEIJO TCHAU
Conheça o liberalíssimo mundo das micaretas, onde ninguém é de
ninguém. Entre um axé e outro, você agarra quantas quiser. Sem
perguntar nada, sem responder coisa nenhuma. Basta beijar e
desaparecer
por Armando Antenore
fotos: Jegue Boy
Já me imaginei capaz de gestos bizarros - me inscrever no Show do
Milhão e pedir a ajuda dos universitários; prometer casa, comida e
roupa lavada para a Gretchen dos bons tempos; me fantasiar de
Chapolin Colorado, seqüestrar meu chefe e lhe sussurrar, risonho:
"Não contava com minha astúcia". Nunca, entretanto, sonhei estar ali
(e daquele jeito).
Ali: o Sambódromo de São Paulo. Daquele jeito: trajando uma camiseta
amarela sem mangas, que me disseram chamar-se "abadá" e que me
deixava parecido com o Bob Esponja; exibindo na cabeça um lenço de
cor laranja, que me disseram chamar-se "bandana" e que me deixava
parecido com a faxineira do meu prédio; usando um largo colar de
contas azuis e brancas, que me disseram chamar-se "guia dos Filhos
de Gandhi" e que me deixava parecido com o Pai Pércio de Oxalufã.
Não contente, o figuraça aqui ainda acompanhava um trio elétrico
que, no meio de quase 15 mil pessoas, transportava uma tal Asa de
Águia. Pelo tamanho do carro, calculei, deveria transportar não
apenas a asa, mas a águia inteira (e uma legião de araras ou de
flamingos). "Está zoando com o nome da banda, gente boa? Se liga...",
ouvi não sei de quem. Banda antigona, capitaneada por Durval Lelys,
um híbrido de cantor e tigrão, que fazia a galera urrar: "O meu
remédio, meu amigo/ É tiro e queda/ Dou a dica pra você/ É pegar
todas/ Arranjar uma namorada/ Em cada canto que eu viver/ Casamento
não/ Casamento não/ Casamento nana nina nina não!"
Sim, velhinho: em plena noite de domingo, o bravo repórter que vos
reporta se encontrava numa genuína micareta. Mais exatamente, no Carnafaap.
A folia, anual, ocorre desde 2001 por iniciativa dos diretórios
acadêmicos da Fundação Armando Álvares Penteado, faculdade que reúne
jovens da elite paulistana. Os cartazes que anunciavam a edição do
último dia 8 de maio classificavam a coisa como "o maior evento
universitário do país". E prometiam: vai ter Asa de Águia, vai ter
Babado Novo - grupos que representam para o axé o mesmo que
Reginaldo Rossi e Waldick Soriano representam para a música de
corno.
Pensei, mal recebi a missão de cobrir o troço: tremendo programa de
pataxó (os índios lá da Bahia, ô ignorante!). Não escuto axé, não
danço axé, não entendo necas de axé. Timbalada, por exemplo. Certa
vez, me perguntaram o que significa. Respondi sem piscar: o doce de
algum fruto tropical (goiabada, marmelada, timbalada). Errei?
Logo na porta do Sambódromo, porém, minha irritação hasteou bandeira
branca. Percebi que a suposta armadilha poderia se converter em algo
mui interessante. "Micareta não é festa no apê", alertou-me José Vitalino
Filho, "mas o que rola de bundalelê..."
O cara dava pinta de dominar a parada. Baiano de Salvador, percorre
o Brasil num Santana prata à procura dos carnavais fora de época.
Começou a caça há duas décadas e agora bate ponto "em uns 100
forrobodós por ano", de Florianópolis à Amazônia. "Vou para vender
uns negocinhos." Vive de comercializar pinga com mel e as guias dos
Filhos de Gandhi durante "a bagunça". O goró sai por 3 reais. Cada
colar, por 5. Lembram badulaques que se compram no centro da cidade,
em barracas de camelô. "Camelô uma vírgula! Trouxe-os da minha
terra. O próprio Filhos de Gandhi - aquele bloco afoxé que o
ministro Gil admira - os benzeu. Mandinga de primeira."
NATY E TICI
Sagradas ou não, as guias
enfeitavam o peito de incontáveis foliões que aguardavam para entrar
no Sambódromo. Vários já caíam de bêbados - literalmente. "Iiiih...
Queimaram a largada, deram PT", zombava uma graciosa morena de olhos
verdes. PT? "Perda total!" Apresentou-se: "Sou a Naty". Naty
Almeida, 25 anos, estudante de publicidade. Estava com "a Tici".
Ticiana Espíndola, 24 anos, estudante de marketing.
Loira de olhos castanhos, corpo impecável, Tici carregava uma porção
de guias no pescoço. "Me garantiram que protege", justificou. "Ô se
protege", concordou Naty, "protege de homem feio! Hoje só vai grudar
homem lindo na gente. Só vai grudar cat!" As duas, unha e carne,
conheceram-se numa academia de ginástica. Desde então, perseguem
juntas o maior número possível de trios elétricos e se definem como
"guerreiras de carteirinha". "Guerreiras porque, nas micaretas, o
bicho pega. É guerra! O reino do beijo fantasma, do beijo tchau.
Você beija um e some. Depois beija outro, outro e outro. Sem se
preocupar em transar, sem papo. Quem conversa desperdiça o tempo",
explicou Tici. "Nas baladas de axé, ao contrário das raves, a música
convida à malícia", emendou Naty. "A diversão é beijar 13, 14, 15 em
uma única noite. Beijar e não deixar rastros: no name, no phone, no
sex. Eu mesma só passo o celular quando encontro um fulano que me
agarre de jeito." De jeito? "Yes! Que me agarre gostoso, que me
agarre firme. Não pode alisar. Alisou, é bambi..."
Tanto Naty como Tici já cultivaram namoros longos. "Looongos de
verdade", enfatizou a morena. "O meu durou sete anos. O da Tici,
nove." Assim que os compromissos terminaram, ambas decidiram "partir
para a curtição". Agora têm apenas rolos. Ou "namorandinhos", nas
palavras de Naty. "Não acredito mais em homem, não acredito mais no
amor", proclamou, enquanto cruzava as catracas do Sambódromo. "Se
meu namorado me enganou e destruiu uma história de sete anos, o que
vou esperar de futuras relações?" Tici aproveitou o mote para bancar
a filósofa: "Micaretas são o máximo justamente porque nos fazem
esquecer o mundo lá fora, as desilusões, os bodes. Aquela confusão,
aquele som, aquele calor nos tira da órbita e nos transforma. Me
considero, em geral, uma mulher recatada. Mas, na hora do oba-oba,
perco os pudores. Não me reconheço. A água vira vinho, sabe como é?"
Sei. Bastou colocar os pés dentro do Sambódromo para compreender
perfeitamente o que a dupla me contava. Havia beijos tchau por toda
parte: na pista, nos camarotes, nos bares, nas filas dos banheiros.
Mais do que beijos, havia amassos tchau. Os pares, que se formavam e
se desmanchavam com a rapidez de um Schumacher, pareciam querer se
devorar. "Fast food", comentou um rapaz de boné Von Dutch. Havia
também muito álcool à venda - cerveja e vodca, principalmente. E
havia frascos e frascos de lança-perfume, que passeavam de mão em
mão, clandestinos. Só não havia negros. Ou melhor: havia, mas
pouquíssimos. Era um carnaval de brancos. De garotões vigorosos e
meninas com o cofrinho à mostra, irmanados pelos abadás amarelos,
que pagaram entre 60 e 130 reais para participar da zoeira.
Quando Naty resolveu atacar, o trio elétrico alardeava: "O baiano é
um povo a mais de mil/ Tem Deus no coração/ E o diabo no quadril".
Ela, felina, mirou o cat, um sujeito alto, musculoso, sem camisa e
de bermuda florida. Chegou junto, lhe acariciou os cabelos, o tórax,
a bunda. Engoliram-se por uns três minutos. Separaram-se. "Fiz a
pole position! Saí na frente! Beijei primeiro que a Tici",
comemorou, aos pulos. "Entendeu como funciona? Eu avisto, eu desejo,
eu pego." Tici, igualmente professoral, completou: "Aqui, os caras
não nos escolhem. Nós os escolhemos".
Escolhiam mesmo. Ao longo da noite, um batalhão as abordou - os mais
charmosos e fortes realmente não falavam nada, apenas as tocavam,
tentando o bote; os mais desengonçados e fracos adotavam outras
estratégias: ofereciam bebida, inventavam gracejos ou passos de
dança, ameaçavam laçá-las com as guias dos Filhos de Gandhi (serviam
para algo, afinal!). Eram as moças, no entanto, que anunciavam o
veredicto. Se gostavam do pretendente, autorizavam o beijo. Se não
gostavam... "Você me deixa louca, cat, mas não vai rolar. Estou
namorando sério", desculpava-se Naty, sonsa como Marilyn Monroe.
Tici preferia apalpar o bíceps do infeliz e fuzilar: "Você tem 42
centímetros de braço? Não tem? Pena. Só fico com os que têm..."
Nenhum dos rejeitados se zangava. Todos assimilavam o mico sem
traumas. "Posso tomar dezenas de bolos. Não me importo, porque uma
hora emplaco", dizia Igor Austin, 22 anos, estudante de medicina.
"Olhe ao redor: sobra mulher."
"Quase madrugada, e não beijei ninguém", jurou Marcela Bernardi, 20
anos, estudante de engenharia. Tão bonitinha... Ninguém?!? "Para me
beijar, precisa telefonar antes." Enlouqueceu? "Pelo contrário. Em
minha primeira micareta, catei um montão de anônimos. Cinco, talvez.
No dia seguinte, me senti péssima, fútil, ridícula, igual às outras
beijoqueiras. Acontece que não sou igual! Por isso, decidi agir
diferente. Quando um menino se aproxima, aviso: 'Você me quer? Então
terá de me conhecer melhor'. Dou um selinho, para não lhe tirar as
esperanças, e passo meu celular. Caso ele ligue..."
"Já euzinha...", contrapôs Marina Camargo, 20 anos, amiga de
Marcela. Sem demora, mostrou os braços repletos de pulseiras. "Vim
com 26 no direito. Sempre que pego alguém, transfiro uma para o
esquerdo. Há garotas que trazem carimbo e marcam as 'vítimas'.
Outras, à medida que beijam, fazem risquinhos de caneta nas mãos.
Prefiro o método das pulseiras." Àquela altura, fim de festa,
ostentava 13 no braço esquerdo.
O placar de Naty e Tici acabou por se revelar mais modesto. Quatro
beijos para a morena, seis para a loira. "Nada mal, considerando que
só aceitamos filé", avaliou Naty. "E você, repórter, zerou?" Parece
que sim. "Zerar em micareta dá azar." Verdade? "Verdade." Bom, ainda
me restam as duas... "É, restam." É... Então tá. ::
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