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O Homem sedentário por Pedro Antonio

Originalmente criada para a Revista Essência Natural, era uma coluna mensal que, de forma bem descontraída, criticava a atual obsessão pela estética e pelo culto ao corpo.

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Carnaval !  (Fevereiro)

Ressaca de novo, mas agora por causa do Carnaval! Decepção total! Quando a Lurdinha me disse que ia viajar com umas amigas para curtir o Carnaval de Salvador, já comecei a imaginar que meu nos bailes que ia aproveitar, tive que disfarçar a empolgação.

Perdi o Grito de Carnaval pois tive que trabalhar no Sábado. Mas a primeira noite oficial do Carnaval eu não ia perder de jeito nenhum. Percebi que estava meio cansado quando cheguei em casa, resolvi descansar um pouco antes da farra do carnaval. Apaguei todas as luzes e desliguei o telefone, quando acordasse era só me arrumar e sair.

Quando acordei, tomei um banho fiz a barba, estava empolgadíssimo! Calça branca, camisa florida, Tv ligada! e a Vai Vai entrando no Sambódromo em SP. Opa! espera aí!  a Vai-Vai ia ser uma das ultimas. Tinha dormido demais e perdido a primeira noite do meu carnaval.

Domingo de carnaval, consegui (comprei) um convite para o camarote de uma cervejaria no Sambódromo de São Paulo, quero ver a Gaviões, não vou nem descansar par não correr o risco de dormir de novo e perder. Cheguei no Camarote mais cedo! Tão cedo que ainda não podia entrar, tive que esperar com os "Dogueiros" do lado de fora, dogueiros para quem não sabe é o pessoal que trabalha no ramo de alimentação em eventos os vendendo Cachorro quente.

Eis que pinta na avenida a Gaviões, já era percebido um grande aumento de Público, Cotoveladas para todo o lado para conseguir um lugarzinho na janelinha, pela qual pagamos, e temos que brigar por... Eis também, que a Torcida, que estava na arquibancada acima do Camarote resolve esticar uma bandeira do timão, gigante e que vai até o chão, cobrindo a vista pela qual tanto lutamos e pagamos.

Duas horas depois, algumas latinhas da cerveja porcaria, bandeira ainda esticada cobrindo nossa vista e as pessoas começaram a desistir, achei melhor ir para casa e me guardar para amanha, os bailes de carnaval fechados, bailes de salão, são melhores. Vai valer a pena, sempre tive vontade de conhecer o Baile do clube Mariano, é pra lá que vou amanhã.

Baile do Mariano, segunda feira de carnaval, estranhamente quando cheguei percebi que tinham mudado o nome para Baile da Mariana! Mas o clima era o mesmo dos carnavais antigos. Muito samba, confetes serpentina, mesinhas para colocar sua garrafa de Whisky, banda ao vivo, com senhores que poderiam dividir o escritório comigo. Só estavam faltando as mulheres. As mulatas deveriam fazer uma entrada triunfal, mas cadê as mulheres normais que vieram brincar o carnaval. Deve ser cedo.

Alguns drink´s depois, A banda fez uma pausa e percebi que iriam entrar as mulatas, bateu uma emoção como se eu fosse um adolescente. Entrarão, não as mulatas, mas um grupo de Drag-Queens, o baile do mariano tinha se tornado um Baile Gay, por isso não havia mulheres, por isso agora era ...da Mariana. Não fiquei revoltado, apenas queria sair dali sem ser visto. E consegui fui direto para casa, com a garrafa de whisky na mão, sem conseguir olhar na cara do taxista que me pegou na porta do baile e tenho certeza achava que eu era Gay.

Mas eu ainda tinha a ultima noite do carnaval, sempre a melhor e mais animada, já que todos queriam aproveitar ao máximo, Depois do meu histórico desse carnaval não quis inventar muito e fui até um clube aqui perto de casa, que eu ia de menino brincar o carnaval.

Chegando lá, não estranhei a quantidade de pessoas mais novas, adolescentes mesmo, claro quem da minha idade teria a sorte de ficar solteiro no carnaval. Fiquei mais tranquilo ao ver algumas mulheres, mesmo que adolescentes, eram mulheres pelo menos. Comecei me animar quando vi os preparativos da banda de música. pelo menos ia poder curtir as marchinhas de carnaval tradicionais. "mamãe eu quero. mamãe eu quero....mamãe eu quero mamar..."

Começou o Baile e o som predominante era o Axé music, pensei que estavam aquecendo o Público para o grande show da banda oficial e suas marchinhas..."Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? será que ele é...".

Não vendiam bebidas destiladas como Whisky e vodka, assim tive que ficar na cerveja que ainda por cima estava quente. Minha bexiga não é mais a mesma, assim ia ao banheiro de meia em meia hora, 05 idas ao banheiro não vi nenhum adulto da minha idade. E as marchinhas não começavam, chiclete com banana era o que mais animava a moçada. Mas não tinha clima de carnaval e eu não conseguia me animar.

Percebi duas meninas se aproximando cheias de risinhos no rosto, "vou me dar bem" pensei, quando se aproximaram perguntaram

- Aqui que é o banheiro

- Claro minha princesa - me achei um idiota chamando-a de princesa.

- Brigada Tio - e entraram no banheiro

Foi o fim do meu carnaval, chega! vou pra casa ver os desfiles na TV, afinal tenho que acordar cedo e pegar a Lurdinha no aeroporto, de volta de Salvador. Carnaval do ano que vem eu vou é pra lá, que deve ser mais tranquilo e tem as praias.