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“Adoro essa época do ano, o clima de Natal e
Reveillon vai tomando conta das pessoas e deixando todo mundo um pouco
mais humano, mais gentil, mais preocupado com o próximo.” quantas vezes
vocês já ouviram essa frase, um clichê só. Mas será que isso acontece
realmente?
Não é o que eu vejo por ai, principalmente no
Brasil.
Para começar tem o clima, o meteorológico mesmo,
que por essas bandas não combina em nada com o natal. É o verão
chegando, aquele calor insuportável, para onde se olha você consegue até
para enxergar o calor. Sol, calor e transito para todos os cantos, de
todas as grandes cidades, para mim a mistura que mais se aproxima do
inferno. Sem neve, nem trenó a decoração natalina, das casas, lojas,
shoppings, bairro, enfim, de todos os lugares soa ridícula. Neve à 40ºC.
Só por aqui mesmo.
Na parte culinária, nem quem é gordinho, como eu, e
adora o tipo de comida gordurosa, nada saudável que é servida nessa
época do ano, como leitão, pernil, peru (que nem é tão gorduroso assim,
mas que também nem é tão gostoso assim) entre outros, suporta comer com
todo esse calor.
O que comemos nessa época do ano provavelmente fica
dentro de nós até o natal do ano que vem. Outro dia ouvi em algum lugar,
que não lembro qual é, que até a cereja, que é fruta e tem uma
aparência inofensiva faz mal, ela fica no organismo cerca de 07 anos.
Não acreditei muito nessa história, mas que eu ouvi, ouvi.
E as propagandas então? Na Tv, nas revistas, no
jornal, radio, cinema, outdoor, busdoor e sei-lá-mais-o-quê-door invadem
nossas mentes com o que a mais brega no mundo consumista da publicidade,
o “espírito chatalino” ou melhor, natalino. No começo de Dezembro já
estamos até enjoados do natal, todas falam a mesma coisa, com os mesmos
chapeuzinhos horríveis, o papai e/ou a mamãe-noel tentando ser
simpáticos, e que de tão simpáticos soam mais falsos que nota de 03
reais, e as musicas então?
A trilha sonora das campanhas televisivas tem
destaque na minha irritação com tão bela época do ano. São tão meladas
que até as abelhas se enganam e atacam a tela do pobre eletro doméstico.
Um monte de criancinhas desafinadas cantando, e o pior que é em coro,
afinal para que um chato só, se você pode reunir uma porção deles.
(...um natal, um feliz natal, muito amor e paz para...) tenho certeza
que todos vocês completaram a frase anterior, isso mostra como são
chatas e redundantes essas músicas. Elas impregnam em nossa cabeça que
nos pegamos cantando. Isso quando não acrescentam sininhos, renas e os
“Rô, Rô, Rô” do papai-noel, mamãe-noel, vovô-noel, vovó-noel, dog-noel,
papagaio-noel e todos os outros que já foram criados para a família, que
ao que parece vai continuar crescendo.
A Lurdinha adora, claro, nenhuma época do ano é tão
animada para uma consumista-patológica como ela, ainda mais quando o
dinheiro é do maridão. Ela passa quase que o dia inteiro nos shoppings
da cidade, são listas e mais listas de presentes, presentes para pessoas
que nem sei quem são, e nem ela provavelmente. Pelo menos não temos
tempo de ir a academia, nem as caminhadas, nem nada, ela esquece de
tudo. Só pensa no natal, na decoração de natal, na ceia de natal, nos
presentes de natal, que ótimo. As lojas e os shoppings são outro
destaque. Uma multidão de fazer inveja a qualquer estádio de futebol.
Filas de criancinhas endiabradas ansiosas para sentar no colo do Papai
Noel.
A única coisa que realmente vale a pena é a ceia de
natal, e olha que não é pelos comes-e-bebes, que como já disse, com
tanto calor nem os gordinhos agüentam, e sim pela satisfação em ver
aquelas pessoas que passam o ano inteiro de dieta, comendo mato, fazendo
ginásticas e que não estão mais acostumadas a comer aquele tipo de
comida serem obrigadas a ingerir tantas toxinas, calorias, carboidratos,
engordando muitos kilos, adquirindo muita gordura corporal. O que
provavelmente vão ocupar boa parte da ginástica do ano seguinte.
No mês que vêm conto como foi meu natal e meu
Reiveillon. Feliz Natal, bons presentes, muitas calorias e um feliz ano
novo. |