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Semana passada, durante
uma das minhas corridas diárias, sob o risco da pena máxima, divórcio e
separação, imposta pela Lurdinha. Encontrei um velho amigo dos tempos de
faculdade, que carinhosamente me convidou para uma “cervejinha” no bar
mais próximo. O que prontamente tive que recusar, pois minha querida
esposa já estava uns 200 metros à frente, gritando: “Pedro Antonio, vem
logo, nós já estamos atrasados para a academia”. Agradeci o velho amigo
com a promessa de combinar um outro dia e corri tentando alcançá-la.
Mas uma pergunta não
saiu da minha cabeça: Por que é mais fácil freqüentar um bar do que uma
academia? Para resolver esse dilema, resolvi freqüentar os dois por uma
semana e entendi o porquê de existirem mais bares do que academias.
Arquitetura: No bar, a arquitetura é barroca, cheia de detalhes,
por sorte o próprio dono do bar é que construiu. Na academia a
arquitetura é fria, toda reta e branca, cheia de espelhos por todo
canto, só para parecer que é maior. Um a zero para o bar.
Gastronomia: É
só você reparar na comida da academia: Alface, frango, pão integral,
alface, frango, arroz, alface, frango e cenoura ralada. Já no bar é
outra história. Dois a zero.
Cultura: Quantas
vezes você vê alguém na academia discutindo filosofia, política,
literatura, teatro, cinema, religião, futebol, Satre, Nietzsche, Freud
e/ou poesia? Assuntos diários num bom bar. Três a zero.
Olfato: Cheiro de gente suada não é o que pode se chamar de
agradável. E é o que mais tem numa academia. Quatro a zero.
Ostentação: Na academia as pessoas reparam na griffe do
seu tênis, na marca da sua roupa de ginástica, no seu corpo, no carro
que você chega, isso se transforma numa competição. No Bar a competição
é Quem bebe mais? Ou quem cai primeiro? Muito mais saudável. Cinco a
zero.
Solidariedade:
No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa. Na academia, você
não pode dividir um aparelho. Seis a zero.
Finanças: No bar você paga pelo que você recebe, bebidas,
“quitutes” e guloseimas. Na academia você paga pelo que perde: calorias
(e tempo). Sete a zero.
Terapia de grupo:
No bar todos te escutam e estão sempre prontos a dar apoio moral, ou
pelo menos a contar uma história pior que a sua. Na academia ninguém se
fala. Oito a zero.
Bate papo: Na
academia não se conversa, fica todo mundo bufando, fazendo cara feia, no
bar só se conversa. Nove a zero.
Felicidade: Quantas gargalhadas você já ouviu numa academia?
Dez a zero.
Beleza: As
academias são freqüentadas por mulheres bonitas e aquelas que se
esforçam para ser. No bar todas são bonitas, principalmente depois de
alguns goles. Onze a zero
Realização pessoal:
Num bar somos tudo que gostaríamos de ser, resolvemos nossos
problemas e os do mundo, apenas com idéias, planos e teorias, que
dificilmente dariam certo no mundo real. Na academia vemos exatamente
aquilo que nunca seremos: magros, bonitos e saudáveis. Doze a zero.
Gol de honra: Saúde: Seu fígado está melhor ao sair de
uma academia do que de um bar.
12 x 01 (Doze a um).
Mesmo assim foi de
goleada. |