L I V R O S
Mulheres
Invisíveis
 
C O L U N A S
Papo Cabeça
O Homem Sedentário
 
BUSINESS
Marketing
Cultura
 
T E X T O S
Cinema
Teatro
Literatura
Baladas
 
BLOG´s Legais
Clarah Averbuck
Gerald Tomas
Allan Sieber
Marcelo  T A S
 
BLOG´LÓQUIOS

 

Compre Meus Livros

      

   

 

 
O Homem sedentário por Pedro Antonio

Originalmente criada para a Revista Essência Natural, era uma coluna mensal que, de forma bem descontraída, criticava a atual obsessão pela estética e pelo culto ao corpo.

Outubro     Novembro     Dezembro

Janeiro   Fevereiro     Março

 

 

BAR X ACADEMIA (Novembro)

Semana passada, durante uma das minhas corridas diárias, sob o risco da pena máxima, divórcio e separação, imposta pela Lurdinha. Encontrei um velho amigo dos tempos de faculdade, que carinhosamente me convidou para uma “cervejinha” no bar mais próximo. O que prontamente tive que recusar, pois minha querida esposa já estava uns 200 metros à frente, gritando: “Pedro Antonio, vem logo, nós já estamos atrasados para a academia”. Agradeci o velho amigo com a promessa de combinar um outro dia e corri tentando alcançá-la.

Mas uma pergunta não saiu da minha cabeça: Por que é mais fácil freqüentar um bar do que uma academia? Para resolver esse dilema, resolvi freqüentar os dois por uma semana e entendi o porquê de existirem mais bares do que academias.

Arquitetura: No bar, a arquitetura é barroca, cheia de detalhes, por sorte o próprio dono do bar é que construiu. Na academia a arquitetura é fria, toda reta e branca, cheia de espelhos por todo canto, só para parecer que é maior. Um a zero para o bar.

Gastronomia: É só você reparar na comida da academia: Alface, frango, pão integral, alface, frango, arroz, alface, frango e cenoura ralada. Já no bar é outra história. Dois a zero.

Cultura: Quantas vezes você vê alguém na academia discutindo filosofia, política, literatura, teatro, cinema, religião, futebol, Satre, Nietzsche, Freud e/ou poesia? Assuntos diários num bom bar. Três a zero.

Olfato: Cheiro de gente suada não é o que pode se chamar de agradável. E é o que mais tem numa academia. Quatro a zero.

Ostentação: Na academia as pessoas reparam na griffe do seu tênis, na marca da sua roupa de ginástica, no seu corpo, no carro que você chega, isso se transforma numa competição. No Bar a competição é Quem bebe mais? Ou quem cai primeiro? Muito mais saudável. Cinco a zero.

Solidariedade: No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa. Na academia, você não pode dividir um aparelho. Seis a zero.

Finanças: No bar você paga pelo que você recebe, bebidas, “quitutes” e guloseimas. Na academia você paga pelo que perde: calorias (e tempo). Sete a zero.

Terapia de grupo: No bar todos te escutam e estão sempre prontos a dar apoio moral, ou pelo menos a contar uma história pior que a sua. Na academia ninguém se fala. Oito a zero.

Bate papo: Na academia não se conversa, fica todo mundo bufando, fazendo cara feia, no bar só se conversa. Nove a zero.

Felicidade: Quantas gargalhadas você já ouviu numa academia?
Dez a zero.

Beleza: As academias são freqüentadas por mulheres bonitas e aquelas que se esforçam para ser. No bar todas são bonitas, principalmente depois de alguns goles. Onze a zero

Realização pessoal: Num bar somos tudo que gostaríamos de ser, resolvemos nossos problemas e os do mundo, apenas com idéias, planos e teorias, que dificilmente dariam certo no mundo real. Na academia vemos exatamente aquilo que nunca seremos: magros, bonitos e saudáveis. Doze a zero.

Gol de honra: Saúde: Seu fígado está melhor ao sair de uma academia do que de um bar.

12 x 01 (Doze a um).

Mesmo assim foi de goleada.