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Crash - No limite, com seus personagens
transpirando conflitos e questionando dogmas e paradigmas da vida
moderna não é um filme fácil, mas com coragem e boas doses de realismo,
aborda temas espinhosos como racismo, violência e relações humanas.
O Plot de que em Los Angeles as pessoas não
se relacionam, se colidem, em busca de algum contato humano é muito bem
sacado e brilhantemente trabalhado pelo diretor, produtor e roteirista
Paul Haggis, que havia concorrido (e perdido) no ano passado, o oscar de
melhor roteiro pelo também ótimo “Menina de ouro”. O Oscar de melhor
filme não era esperado, mas também não chegou a ser um choque, pois quem
realmente gosta de cinema, torcia por ele ou pelo “Boa noite e boa
sorte” do homem de Holywood do ano, George Clooney.
A narrativa começa com um acidente de
trânsito, banal, que vemos todos os dias nas grandes cidades. A partir
daí, são mostradas as 36 horas que antecedem o momento da tragédia.
Entram na história: Jean (Sandra Bullock), uma dona de casa egocêntrica,
e seu marido Rick (Brandan Fraser), um influente promotor público;
Graham (Don Cheadle) e Ria (Jennifer Esposito), um casal de detetives
avessos à corrupção; o renomado diretor de televisão Cameron (Terrance
Howard) e Christine (Thandie Newton), sua esposa; Daniel (Michael Pena),
um chaveiro mexicano; Farhad (Shaun Toub), um lojista persa desmiolado;
Peter (Larenz Tate) e Anthony (Chris “Ludracris” Bridges), dois ladrões
de carros da periferia; e Tom Hansen (Ryan Phillippe), um policial
novato aprendendo as lições da rua com Ryan (Matt Dillon), um veterano
racista, papel que lhe rendeu a indicação a Ator coadjuvante. Suas
histórias vão se encontrando e mostrando a que vieram.
O que mais impressiona no feito de Haggis é
que o filme teve orçamento muito baixo, comparado com os padrões de
Holywood, custou apenas US$ 6,5 milhões, só para efeitos de comparação o
filme do brasileiro Fernando Meirelles (também considerado de baixo
orçamentos) custou algo em torno de US$ 25 milhões. O elenco tem grande
responsabilidade pela força do filme, pois são atores pesos pesados e
que trabalharam por salários muito abaixo do que estão acostumados a
receber.
Além de melhor filme Crash levou os prêmios
de melhor roteiro original e edição, o que garantiu o ritmo ágil a
história. E ainda era um dos favoritos de melhor canção, mas perdeu para
a bobagem “Its hard out here for a pimp” , que numa tradução simples
quer dizer algo como: “É dificíl a vida de um cafetão aqui fora”.
Ou seja, além de pesado, o filme é ótimo, e
vale a pena correr até a locadora e assistir. Ele nos mostra como: pouco
dinheiro, talento e uma boa história fazem o cinema ser arte séria e
reflexiva, se aproximando das grandes manifestações artísticas da
humanidade. |
Ficha Técnica
CRASH - NO LIMITE - Crash (EUA/ Alemanha, 2004)
Diretor: Paul Haggis
Elenco: Sandra Bullock, Don Cheadle,
Matt Dillon, Jennifer Esposito, William Fichtner,
Brendan Fraser, Ludacris, Thandie Newton,
Ryan Phillippe, Larenz Tate, Tony Danza,
Keith David, James Haggis.
Produção: Don Cheadle, Paul Haggis, Mark R. Harris,
Robert Moresco, Cathy Schulman, Bob Yari
Roteiro: Paul Haggis, Bobby Moresco
Fotografia: James Muro
Trilha Sonora : Mark Isham, Oliver Nathan e S. Rigsbee
Duração: 100 min. |
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