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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

MAIO

 

Crônica: A beleza feminina! Beleza de menina!

Escuto, indiscreto sem querer, a conversa do casalzinho que está à mesa ao lado da minha, num restaurante qualquer. Muito séria, a mocinha pergunta:
- O que é que você considera "uma mulher bonita"?
Galante e até mesmo um pouco anacrônico, o rapaz responde:
- Uma mulher como você...
Não posso deixar de considerá-lo cavalheiro, mas da mesma maneira, eu o acho um pouco pobre no que diz respeito à definição.
Sorrio, com tristeza, de mim mesmo.
Se sou capaz de me julgar capacitado à crítica, essa capacidade se deve apenas à idade... O que tenho, no fundo, não passa daquele ciúme nostálgico que bem pode ser explicado como "inveja da juventude"...
A mocinha, mais objetiva e bastante exigente, não se contenta com aquela resposta e reclama:
- Você não disse nada. Não respondeu à minha pergunta.
Muito mais esperto do que eu poderia imaginar, o rapaz lhe dá um beijinho, outro e mais outro, atacando imediatamente em seguida seu prato, deixando o assunto tombar por terra.
Está decidido a não responder, a não se comprometer...
Pois bem, cara mocinha, minha bela menina-mulher... Já que seu companheiro não satisfez sua curiosidade, vou procurar fazê-lo. Em primeiro lugar, não pense você que a idade, alguns anos a mais, sejam motivos suficientes para você me classificar de "velho". Posso ser mais idoso que você e seu companheiro juntos, mas ainda falta muito para que eu me considere velho e ultrapassado.
No fundo, esses anos todos que já vivi, no mínimo serviram para que certos conceitos meus sejam um bocado diferentes da média, sejam talvez muito subjetivos e até difíceis de explicar, mas pode acreditar, minha menina bonita, são conceitos trabalhados, vivenciados e muito analisados...
Conceitos que, pelo menos, me satisfazem e que, no que diz respeito à beleza feminina, pode ser que a satisfaçam também.
Certa vez, ouvi um desses filósofos de bar dizer que o belo na mulher é exatamente aquilo que se contrapõe ao feio do homem. Talvez seja esta uma boa maneira de entender como e por que mulheres tão bonitas se casam com homens tão feios... e vice-versa.
Mas, em minha opinião, são balelas, ginásticas mentais e palavrório inútil.
Uma mulher é bela por que... É simplesmente bela.
Ao lado da parte física, a matéria harmoniosamente constituída, as linhas e curvas esteticamente bem equilibradas, há algo mais, há qualquer coisa que faz com que o homem que a vê sinta, de repente, um enlevo todo especial e a deseje...
Sim, ele pode desejá-la e de muitas maneiras.
Talvez até mesmo como eu a estou desejando agora, sem nem sequer pensar em qualquer coisa que seja diferente de um platonismo até fora de moda.
É esse algo mais, essa aura que circunda a mulher que é bela, que é capaz de fazer com que uma criança esse serzinho que ainda não tem maldade em sua alma, que não tem malícia alguma em seu coração e não possui qualquer idéia carnal em sua mente a veja e diga, com um sorriso encabulado:
Você é bonita...
Seria essa aura uma expressão ectoplásmica da bondade?
Não sei... Não sei definir muito bem o que possa ser a bondade feminina.
Seria a capacidade de se entregar ao amor, de se dedicar ao homem que ama, de se desdobrar como diz Raimundo Corrêa, "desfiando fibra por fibra o coração" em relação a seus filhos? Ou seria a bondade apenas o fato de ser cordata, dócil, simpática e sempre pronta a servir?
Há mulheres belas que não são assim...
Têm sua vida própria, seu brilho próprio, independem de todo e qualquer homem, não querem saber de filhos estes atrapalhariam seus objetivos e nem por isso deixam de ser belas, deixam de ser desejadas...
Mas... Olhando-me interiormente, avaliando a experiência que essa vida me deu, penso se estas mulheres, belas, belíssimas, maravilhosas e atraentes, mulheres por quem um homem seria capaz de cometer as maiores loucuras, penso se elas continuarão merecedoras de toda essa devoção... Dentro de trinta anos.
Sim. Dentro de trinta anos, quando a chamada "idade madura" chegar, com o grisalho nos cabelos, as juntas já um tanto rígidas, a disposição para tudo bem arrefecida, a vida marcada por desencontros e desencantos, por desilusões e frustrações, será que essas mulheres continuarão belas?
Ou será que em seus rostos, já então vincados, não estará mais presente do que qualquer outra coisa, o amargor decorrente de tudo o que foi vivido, de tudo quanto foi passado, sofrido e, sobretudo, de todos os momentos perdidos na perseguição de um ideal, de uma meta que, fundamentalmente, não era a sua?
Veja, minha bela menina-mulher...
Sim, pois você é bela, pelo menos ainda...
Continue assim como a vejo, olhando com carinho para esse bobalhão que está à sua frente... Continue a ser como é, a pensar como uma menina e a agir como uma mulher.
Talvez seja esse o segredo...
Tenha suas metas, persiga-as. Alcance-as. Realize seus sonhos materiais, profissionais, financeiros. Conquiste seu lugar na cruel sociedade, seja alguém, vença!
Mas, para que continue a ser bela, para que até mesmo esse apolônico imbecil que a tem hoje, continue a seus pés, é preciso apenas uma coisa: é preciso que você jamais deixe de ser, simplesmente, mulher...

 

Cinema

A Concepção (A Concepção, Brasil, 2006).

Alex (Juliano Cazarré), Lino (Milhem Cortaz) e Liz (Rosanne Holland) são filhos de diplomatas que vivem juntos em Brasília num apartamento vazio, sem os pais, e cheio de quinquilharias. Trocam afetos variados alheios ao mundo. Entediados, tentam viver cada dia como se fosse único. O processo radicaliza quando X (Matheus Nachtergaele), uma pessoa sem nome e sem passado, entra na casa e propõe ir sem freios na idéia de viver apenas um dia.

 

 

O Código DaVinci

de (The Da Vinci Code, EUA, 2006).

O professor da Universidade de Harvard Robert Langdon (Tom Hanks) viaja para Paris a negócios. Especialista em simbolismo, recebe uma ligação no meio da noite sobre o assassinato do curador do Museu do Louvre. As pistas para o crime parecem estar escondidas no famoso quadro Monalisa, de Leonardo Da Vinci. Com a ajuda da criptógrafa francesa Sophie Neveu (Audrey Tautou), descobre que o curador estava envolvido em uma misteriosa sociedade secreta. Os dois percorrem a Europa em busca da solução desse caso

   

Livros

O Código DaVinci

Que mistério se esconde por trás do sorriso de Mona Lisa? Durante séculos, a igreja conseguiu manter a verdade oculta... até agora. Antes de morrer assassinado, Jacques Saunière, o último grande mestre de uma sociedade secreta que remonta ao tempo da fundação dos Templários, transmite a sua neta Sofia uma chave misteriosa. Saunière e seus antecessores, entre os quais se encontravam homens como Isaac Newton e Leonardo da Vinci, conservaram durante séculos um conhecimento que pôde mudar completamente a história da humanidade. Decifrando mensagens ocultas nos mais famosos quadros do genial pintor e nas paredes das antigas catedrais. Um quebra-cabeças que poderá ser solucionado, já que não estão sozinhos no jogo: uma poderosa e influente organização católica está disposta a utilizar todos os meios para evitar que o segredo seja divulgado. Uma trama cheia de reviravoltas inesperadas narrada com um ritmo incessante que conduz o leitor ao segredo mais cuidadosamente guardado desde o inicio da nossa era.

 

 

 

   
   

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Corra gente corra! Pra quê? - Abril
Oscar  - Crash - Um filme maduro e humano - Março
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Retrospectiva! 2004 finalmente acabou - Janeiro
 
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A verdade ao longo da história - Dezembro / 2004
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