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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

JUNHO

 

Eu não agüento mais nada disso

“Eu não agüento! eu não agüento!” Essa frase é de uma antiga música dos Titãs, que hoje também eu não agüento, por estar tão pop. Você já percebeu que a coluna esse mês está pessimista, então se você não agüenta mais ouvir reclamações pode parar por aqui e vá ver a sua novela preferida. Novela? Será que alguém ainda agüenta?

Já que nossa frase de introdução veio de uma música, vamos começar pelo meio musical. Eu não agüento mais ouvir e ver a nova onda do Funk carioca, mais meladinha e inocente que a primeira, se eu via algum tipo de contra-cultura na primeira onda ela morreu, nem a contestação existe mais. Ou seja o sistema já engoliu e regurgitou uma coisa pasteurizada e prontinha para vender. E está vendendo. Também não agüento a complacência e a admiração pela banda Calypso. Não dá, a música é péssima, a voz da vocalista é de doer a alma e só não é pior que o figurino e o visual dos integrantes. Para não me chamarem de elitista tenho que dizer que também não agüento mais o “Ai, ai ai ai aia...” by Vanessa da Mata e outras cantoras de música popular brasileira da nova geração. Ainda bem que o resgate dos anos oitenta já começa a dar sinais de fraqueza...

Na tv, não sei bem se vale a pena começar, talvez falte espaço, mas sei que não agüento mais os clássicos programas dominicais, leia-se Faustão, Gugu e Raul Gil, entre outros. Também não agüento as versões nacionais de programas americanos. Ídolos, Aprendiz, Encontro com a Sogra, Lata Velha, Super Nany, BBB, Tudo é possível, Dançando com as estrelas, que tem para completar a ajuda do Faustão. Uma unanimidade na hora de criticar a televisão.

No esporte, acho que não preciso dizer que nem começou a copa e não agüento mais ouvir falar dela, do quarteto mágico, do excesso de peso e das bolhas do Ronaldo, ou Ronaldão como já se acostumou chamá-lo, do sorriso do melhor mundo, Ronaldinho, ou da sua genialidade. O que eu não agüento mesmo é as fofoquinhas de concentração, isso é uma total falta de assunto e a cobertura que a imprensa brasileira está fazendo é uma tortura.

Falando de imprensa, também não agüento mais a cobertura ao julgamento de Suzane von Richthofen e dos irmãos Cravinhos, estão tentando transformar o caso num dramalhão mexicano com toques germânicos. Outra fato que não agüento é a irresponsabilidade na cobertura dos ataques do PCC em São Paulo. O pânico que notícias sensacionalistas geraram deve servir de alerta.

“E o código da Vinci? você leu o livro? Viu o filme?” Essas perguntas eu não agüento mais. Também não agüento mais a palavra polêmica. Não tem nada de polêmico nessa história. É apenas ficção e a igreja católica e seus seguidores não percebem que ao tentar polemizar o assunto a única coisa que criam é mais interesse. Que traduzindo em números você percebe na bilheteria do filme e nas vendas do Livro de Dan Brown. Logo você não vai agüentar mais ouvir falar desse cara e de seu novo livro sobre a maçonaria.

Mas o que eu não agüento mesmo e o que me faz ser amargo desse jeito é a política. Não agüento mais a robalheira e a impunidade que esse congresso impôs a si mesmo. Não agüento mais o discurso governista, muito menos da oposição. Não agüento mais ouvir falar de auto-suficiência em petróleo, como se o Presidente Lula fosse lá com sua barba mágica, tivesse cavado um buraco e achado mais petróleo do que o Brasil consome. Chega de me conter. Eu não agüento mais o Lula. E ele dizendo que não sabia de nada, que não fez nada e agora foi mais longe dizer ao que não houve nada, que as elites estão querendo derrubá-lo apenas. Isso é um insulto. Estão ignorando todas as provas, relatórios, saques em dinheiro na boca do caixa, super-faturamento de ambulâncias, dólares em cuecas e toda essa lama. E os impostos? Isso ninguém agüenta. A carga tributária e os gastos do governo nunca foram tão altos. A coisa chegou num nível de surrealismo que não dá mais para acompanhar sem ter espasmos de raiva e violência. Chega dessa história de politicamente correto, vamos as armas.
Eu sei, eu sei. Pode ser sincero, pois eu também não me agüento mais.

 

Cinema - Cannes

A Palma de Ouro do 59º Festival de Cannes foi dada este ano ao filme "The wind that Shakes the Barley", do polêmico diretor britânico Ken Loach.

Cannes não tem a mesma visibilidade que o Oscar mas tem peso com a comunidade internacional e é considerado pelos verdadeiros amantes do cinema o mais importante festival de cinema do mundo.

Veja abaixo a lista de premiações do 59º Festival de Cannes

Palma de Ouro: "The Wind That Shakes the Barley", de Ken Loach (Reino Unido).

Grande Prêmio: "Flandres", de Bruno Dumont (França).

Prêmio de Jurado: "Red Road", de Andrea Arnold (Reino Unido).

Melhor Diretor: Alejandro González Iñárritu, por "Babel" (México).

Prêmio coletivo de melhor interpretação masculina: Jamel Debbouze, Samy Naceri, Roschdy Zem, Sami Bouajila e Bernard Blancan, por "Indigenes" (França-Argélia)

Prêmio coletivo de melhor interpretação feminina: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Donas, Blanca Portillo, Yohana Cobo e Chus Lampreave, por "Volver", (Espanha).

Melhor Roteiro: Pedro Almodóvar, por "Volver" (Espanha).

Melhor Diretor Estreante: Corneliu Porumboiu, por "12h08 a leste de Bucareste" (Romênia).

Prêmio do Júri de Curta-metragem: "Primera nieve", de Pablo Agüero (Argentina).

Câmera de Ouro: "12h08 a Leste de Bucareste", de Corneliu Porumboiu (Romênia).

 

   
   

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