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“Eu não agüento! eu não agüento!” Essa frase é de
uma antiga música dos Titãs, que hoje também eu não agüento, por estar
tão pop. Você já percebeu que a coluna esse mês está pessimista, então
se você não agüenta mais ouvir reclamações pode parar por aqui e vá ver
a sua novela preferida. Novela? Será que alguém ainda agüenta? Já que nossa frase de introdução veio de uma música, vamos começar pelo
meio musical. Eu não agüento mais ouvir e ver a nova onda do Funk
carioca, mais meladinha e inocente que a primeira, se eu via algum tipo
de contra-cultura na primeira onda ela morreu, nem a contestação existe
mais. Ou seja o sistema já engoliu e regurgitou uma coisa pasteurizada e
prontinha para vender. E está vendendo. Também não agüento a
complacência e a admiração pela banda Calypso. Não dá, a música é
péssima, a voz da vocalista é de doer a alma e só não é pior que o
figurino e o visual dos integrantes. Para não me chamarem de elitista
tenho que dizer que também não agüento mais o “Ai, ai ai ai aia...” by
Vanessa da Mata e outras cantoras de música popular brasileira da nova
geração. Ainda bem que o resgate dos anos oitenta já começa a dar sinais
de fraqueza... Na tv, não sei bem se vale a pena começar, talvez falte espaço, mas sei
que não agüento mais os clássicos programas dominicais, leia-se Faustão,
Gugu e Raul Gil, entre outros. Também não agüento as versões nacionais
de programas americanos. Ídolos, Aprendiz, Encontro com a Sogra, Lata
Velha, Super Nany, BBB, Tudo é possível, Dançando com as estrelas, que
tem para completar a ajuda do Faustão. Uma unanimidade na hora de
criticar a televisão. No esporte, acho que não preciso dizer que nem começou a copa e não
agüento mais ouvir falar dela, do quarteto mágico, do excesso de peso e
das bolhas do Ronaldo, ou Ronaldão como já se acostumou chamá-lo, do
sorriso do melhor mundo, Ronaldinho, ou da sua genialidade. O que eu não
agüento mesmo é as fofoquinhas de concentração, isso é uma total falta
de assunto e a cobertura que a imprensa brasileira está fazendo é uma
tortura. Falando de imprensa, também não agüento mais a cobertura ao julgamento
de Suzane von Richthofen e dos irmãos Cravinhos, estão tentando
transformar o caso num dramalhão mexicano com toques germânicos. Outra
fato que não agüento é a irresponsabilidade na cobertura dos ataques do
PCC em São Paulo. O pânico que notícias sensacionalistas geraram deve
servir de alerta. “E o código da Vinci? você leu o livro? Viu o filme?” Essas perguntas eu
não agüento mais. Também não agüento mais a palavra polêmica. Não tem
nada de polêmico nessa história. É apenas ficção e a igreja católica e
seus seguidores não percebem que ao tentar polemizar o assunto a única
coisa que criam é mais interesse. Que traduzindo em números você percebe
na bilheteria do filme e nas vendas do Livro de Dan Brown. Logo você não
vai agüentar mais ouvir falar desse cara e de seu novo livro sobre a
maçonaria.
Mas o que eu não agüento mesmo e o que me faz ser amargo desse jeito é a
política. Não agüento mais a robalheira e a impunidade que esse
congresso impôs a si mesmo. Não agüento mais o discurso governista,
muito menos da oposição. Não agüento mais ouvir falar de
auto-suficiência em petróleo, como se o Presidente Lula fosse lá com sua
barba mágica, tivesse cavado um buraco e achado mais petróleo do que o
Brasil consome. Chega de me conter. Eu não agüento mais o Lula. E ele
dizendo que não sabia de nada, que não fez nada e agora foi mais longe
dizer ao que não houve nada, que as elites estão querendo derrubá-lo
apenas. Isso é um insulto. Estão ignorando todas as provas, relatórios,
saques em dinheiro na boca do caixa, super-faturamento de ambulâncias,
dólares em cuecas e toda essa lama. E os impostos? Isso ninguém agüenta.
A carga tributária e os gastos do governo nunca foram tão altos. A coisa
chegou num nível de surrealismo que não dá mais para acompanhar sem ter
espasmos de raiva e violência. Chega dessa história de politicamente
correto, vamos as armas.
Eu sei, eu sei. Pode ser sincero, pois eu também não me agüento mais. |
Cinema - Cannes
A Palma de Ouro do 59º Festival de Cannes
foi dada este ano ao filme "The wind that Shakes the Barley", do
polêmico diretor britânico Ken Loach.
Cannes não tem a mesma visibilidade que o
Oscar mas tem peso com a comunidade internacional e é considerado pelos
verdadeiros amantes do cinema o mais importante festival de cinema do
mundo.
Veja abaixo a lista de premiações do 59º Festival de Cannes
Palma de Ouro: "The Wind That Shakes the Barley", de Ken Loach (Reino
Unido).
Grande Prêmio: "Flandres", de Bruno Dumont (França).
Prêmio de Jurado: "Red Road", de Andrea Arnold (Reino Unido).
Melhor Diretor: Alejandro González Iñárritu, por "Babel" (México).
Prêmio coletivo de melhor interpretação masculina: Jamel Debbouze, Samy
Naceri, Roschdy Zem, Sami Bouajila e Bernard Blancan, por "Indigenes"
(França-Argélia)
Prêmio coletivo de melhor interpretação feminina: Penélope Cruz, Carmen
Maura, Lola Donas, Blanca Portillo, Yohana Cobo e Chus Lampreave, por
"Volver", (Espanha).
Melhor Roteiro: Pedro Almodóvar, por "Volver" (Espanha).
Melhor Diretor Estreante: Corneliu Porumboiu, por "12h08 a leste de
Bucareste" (Romênia).
Prêmio do Júri de Curta-metragem: "Primera nieve", de Pablo Agüero
(Argentina).
Câmera de Ouro: "12h08 a Leste de Bucareste", de Corneliu Porumboiu
(Romênia). |




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