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Nada melhor do que ir ao
teatro e ver uma obra que faz você repensar sua vida, seus valores. Foi
o que aconteceu comigo ao assistir a peça "Do que Orlando me disse", que
estreou dia 19 de agosto, com a atriz Paula Picarelli. Livre adaptação
do romance de Virgínia Woolf, o espetáculo retrata a trajetória de um
amante da literatura que atravessa os séculos em busca de si mesmo. A
montagem conta com uma atriz, um piano, projeções em vídeo e traz
reflexões da atriz num diálogo com a obra da escritora inglesa.
“Do que Orlando me disse” é a fantástica história de um nobre inglês,
nascido no séc. XVI, que se transforma em mulher e atravessa o tempo até
chegar aos dias de hoje. O espetáculo retrata a vida do misterioso
personagem que transita entre estados de paixão e contemplação,
masculino e feminino, consciência e inconsciência. Cenas compostas pelo
mais profundo reflexo espiritual e outras que trazem a objetividade do
mundo dos acontecimentos: festas, viagens, carros e livros por escrever.
A paixão pela escrita,
leva Orlando a reflexões sobre as relações entre a obra de arte e o
artista, a fama, a morte, o amor e a realidade. Assim como o livro, a
peça busca o fluxo de consciência e dos acontecimentos para viver essa
história com alegria, poesia e fantasia, sem deixar de lado a
transgressão que transformou Virgínia Woolf numa das mais importantes
escritoras do século XX.
Virgínia Woolf, que se suicidou em 1941, é um dos grandes nomes da
literatura inglesa do século XX. Sua variada produção literária inclui
romances e peças de teatro, tais como: The Voyage Out (1915), Dia e
Noite (1919), Mrs. Dalloway (1925), que deu origem ao longa-metragem As
Horas (2002); Rumo ao Farol (1927); Orlando (1928); As Ondas (1931); Os
Anos (1937); Entre os Atos (1941). Seu trabalho começa com parâmetros
relativamente convencionais e passa por uma representação experimental,
como forma de retratar a expressão livre.
A atriz Paula Picarelli ficou conhecida por sua atuação na telenovela
“Mulheres Apaixonadas” de Manoel Carlos na TV Globo, onde interpretou a
personagem Rafaela e ganhou os Prêmios Qualidade Brasil pela importância
social da obra e Vídeo Show Atriz Revelação. Atuou também na peça
“Bartolomeu, que será que nele deu?”, da mesma diretora Georgette Fadel,
e na peça “O Ponto de Partida” de Gianfrancesco Guarnieri. Em cinema
participou como protagonista do filme “Foliar Brasil”, de Carolina
Paiva, que tem estréia prevista para o final de 2005, e do curta
metragem “História Interrompida”, de Clarisse Lispector com direção de
Roberto Talma, 1998.
A atuação segura e inspirada da atriz faz com que o texto seja absorvido
pelo público sem maiores traumas, a peça começa num tom mais
experimental, mas a trilha sonora, o figurino (muito eficiente e
adequado) e, principalmente, a qualidade do texto e da adaptação que a
diretora e a atriz desenvolveram, vai cativando esse público e fica
explicita a empatia que a atriz consegue provocar nesse público e que,
ao final da peça, está totalmente envolvido com o drama daquele
personagem e porque não dizer em contato direto e íntimo com seus
próprios dramas.
Ficha Artística da peça -
Autor: Virgínia Woolf; Livre adaptação: Paula Picarelli e Georgette
Fadel; Direção: Georgette Fadel; Atriz: Paula Picarelli; Direção musical
e pianista: Manuel Pessoa de Lima; Direção de vídeo: Professor Puma;
Direção estética e figurino: Marcos Nasci; Cenário: Simone Ribeiro;
Preparação Corporal: Cecília Gobeth; Preparação Vocal: Luciana Paes de
Barros; Iluminação: Aline Santine; Assistência de Vídeo: Fernando Fraiha
e Estela Lapponi; Operação de luz: Maurício Shita; Adereços: Simone
Maggio. Fique de
olho pois a peça deve voltar aos palcos ainda este ano. Não perca essa
nova oportunidade.. |
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Filmes
AS HORAS, (The hours,
EUA, 2002).
O filme de Stephen Daldry conta três histórias sobre três
mulheres em tempos diferentes. A primeira história é sobre a própria
Virginia Woolf (Nicole Kidman - Oscar de melhor atriz) que, em 1923,
escrevia Mrs. Dalloway e lutava contra uma forte crise de depressão e
idéias de suicídio. Na segunda história, Laura Brown (Julianne Moore -
em grande forma) é uma dona de casa grávida na Los Angeles de 1949. Ela
planeja uma festa de aniversário para seu marido, mas começa a ler Mrs.
Dalloway e não consegue mais parar. Na terceira, Clarissa Vaughn (Maryl
Streep) é uma mulher na Nova York moderna que dá uma festa para o
escritor Richard (Ed Harris), um amigo e ex-amante que está morrendo. |
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MRS. DALLOWAY,
de Virginia Woolf (2003
Editora Nova Fronteira).
Através da percepção e da notação do que se
passa em torno e dentro da personagem central (Clarissa Dalloway)
Virginia Woolf, partindo da crise de um indivíduo, a autora aponta para
a crise da classe a que este pertence, e, daí, para a da sociedade como
um todo e numa analise mais profunda, como contrapartida, para a crise
da representação literária.
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