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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

MAIO

Os Jovens e a nova Revolução

É comum ouvir comentários do tipo: “A juventude de hoje está perdida”, “...antes éramos mais engajados, mais esforçados, etc.”. Esse tipo de opinião que já se tornou um lugar comum entre os mais velhos mostra uma grande incompreensão do jovem e uma miopia diante da realidade. É um tema complexo, não pretendo esgotá-lo neste espaço, mas sim levantar algumas questões relevantes para uma reflexão mais criteriosa de cada um.

Antes era mais fácil definir o inimigo. Não tenham dúvidas de que, no caso de um golpe militar, os jovens lutariam da mesma forma que lutaram nos negros anos da ditadura no Brasil. Talvez com menos ingenuidade e mais eficiência. Hoje o inimigo não é real, não tem um nome, é mais sutil e multifacetado.

O jovem tem de escolher uma bandeira, uma posição. Ele pode lutar pelo meio ambiente, mas contra quem? Pode lutar pelo bem estar social, tem alguém que é contra isso? Pode lutar contra o racismo, mas na sociedade essa é uma luta ganha, essa luta tem de ser travada one-one (um a um) no indivíduo. Pode lutar contra o sistema, mas que parte do sistema? Quem representa esse sistema? Pode, e alguns lutam por incrível que pareça, contra a globalização, mas eu não pensei que a globalização fosse ajudar? Ou será que não? Pode lutar contra a fome, mas a fome tem um rosto? Não dá para pegar uma arma e sair lutando contra a fome.

A luta pela paz é a única que ainda tem um apelo ideológico, ingênuo mas válido, pois a guerra ainda tem uma cara, e a mais famosa é Bush e os EUA, muito mais por uma falha de relações públicas e diplomáticas do que por uma política de opressão. No Brasil a luta pela paz está restrita à campanha do desarmamento, que terá plebiscito em breve. No entanto a discussão é pequena diante da complexidade e da importância do tema.

Politicamente são imperceptíveis as diferenças ideológicas entre os partidos políticos brasileiros todos, de direita ou de esquerda que têm um discurso muito próximo, as ações dizem muito mais sobre eles, mas dentro de cada um existem diferentes facções e ações, a ala radical do PT se aproxima do PCdoB, já o lado mais light, parece-se muito mais com um partido de centro direita, o PSDB, que muitas vezes, está à esquerda do PT que é um partido legitimamente de esquerda. Escolher um partido pode ser lutar pela paz. Bush aparece como o grande inimigo.

Existia um pensamento coletivo, pensava-se na Sociedade como um todo, o que se mostrou impossível, cada indivíduo tem ideais e aspirações diferentes, hoje o jovem tem que pensar em tribos, cada tribo pensa diferente, e o bem estar social tem um significado diferente para cada uma delas. O que é bom para uma não o é para outra. Assim a “luta” é dispersa e imperceptível para quem não participa dessa tribo.

Essa “luta” atual é muito mais complexa e individual. O jovem não é colocado automaticamente numa posição ideológica, ele tem de escolher essa posição. Ele tem de achar um espaço para si e para sua posição. O Existencialismo de Sartre antecipou essa tendência “O inferno é o outro”. O maior problema do indivíduo hoje é o seu próprio ser e existir, e não uma sociedade opressora, ou uma ditadura, ou a censura.

Com a liberdade de expressão a voz contrária e revolucionária perdeu potência, perdeu o foco e o poder. Todos podem dizer o que querem, nos mais variados e segmentados veículos, a Internet mostra isso, uma pesquisa rápida nos Blog´s de hoje evidencia que tem muita gente engajada e ideologicamente preocupada, mas poucos ouvem e, nos que ouvem, a mensagem não provoca nenhuma ação concreta, pois ouvem muita coisa. O famoso excesso de informação, mas isso já é uma outra história para um outro Papo Cabeça.

Enfim, hoje a revolução deixou de ser uma revolução social para ser uma revolução individual. Comece já a sua.

 
Livros

Os quatro livros, já clássicos da literatura nacional, sobre a ditadura,

de Elio Gaspari:
 

A Ditadura Envergonhada
 

A Ditadura Escancarada
 

A Ditadura Derrotada
 

A Ditadura Encurralada

   
Filmes

Os Educadores, de Hans Weingartner (Alemanha 2004). Jan e Peter dividem o mesmo apartamento e uma militância política bastante original. Acreditando que é indispensável assumir alguma atitude para mudar o mundo, os dois rapazes fazem bem mais do que participar de todas as passeatas antiglobalização do calendário. Clandestinamente, invadem mansões vazias, mudam de lugar todos os móveis e deixam atrás um misterioso bilhete: “Seus dias de abundância estão contados”, assinando-o como “Os Edukadores”.

Paralelamente, Jule encara privações financeiras desde que bateu seu carro no Mercedes de um ricaço, o empresário Hardenberg (Burghart Klaußner), e foi condenada a ressarci-lo pelo caríssimo conserto, o que ela considera uma tremenda injustiça.

   

Cabra Cega, de Toni Venturi (Brasil 2005). Escondidos no apartamento do arquiteto Pedro (Michel Bercovitch), num bairro tradicional de São Paulo, Thiago (Leonardo Medeiros) e Rosa (Débora Duboc), dois jovens militantes da luta armada, vivem o sonho e o pesadelo do projeto revolucionário durante os "Anos de Chumbo" da história brasileira. Thiago é o comandante de um "grupo de ação" de uma das organizações da ultra-esquerda brasileira, que enfrentou o poder militar. Ferido à bala em uma emboscada da polícia, é obrigado a se esconder na casa de Pedro.

Rosa, uma militante de base e filha de operário, é o contato de Thiago com o mundo e também sua enfermeira. Mateus (Jonas Bloch), o dirigente da organização, trabalha incansavelmente para salvar o que restou dos seus quadros. Em setembro de 1971, a organização está debilitada e discute o abandono da estratégia armada. O projeto de derrubar a ditadura pela violência fracassou completamente e é esse fracasso que os militantes precisam encarar enquanto fogem da perseguição feita pela ditadura militar.
   

DVD

Diários de Motocicleta

de Walter Salles

Neste mês nas lojas. Em 1952, o futuro líder da Revolução Cubana Che Guevara (Gael García Bernal) era um jovem estudante de Medicina. Ele e seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna) viajam pela América do Sul em uma velha moto. Obra prima do diretor.

 

 

N Ã O      P E R C A     S E U    T E M P O

Com as novelas ou minisséries da televisão brasileira sobre qualquer tipo de revolução ocorrida no Brasil.

   

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