|
Todos os veículos de
comunicação, nessa época do ano, apresentam, de uma forma ou de outra,
sua lista de acontecimentos que marcaram o ano. Se você acompanha essa
coluna deve estar achando que eu vou “pichar” essa prática. Pelo
contrário, acho importante esse balanço e as vezes até divertido.
O falecido 2004 foi um ano meio inócuo, nada
muito importante aconteceu, nenhuma idéia ou pensamento genial surgiu,
nenhuma obra de arte nos comoveu, nenhuma nova tecnologia nos
surpreendeu, nenhuma guerra “nova” nos apavorou, vimos apenas um
agravamento das situações já existentes em 2003. Assim vamos aos fatos.
No Brasil, Lula aumentou sua popularidade e
em mesma medida sua tendência ao populismo barato. Pallocci ganhou mais
poder com o crescimento da economia (5% do PIB) e a “blindagem” contra
crises externas. O Rio perdeu mais espaço para o crime, assim como Zé
Dirceu e a corrupção no governo.
Os EUA re-elegeram George W. Bush e sua
cruzada moral. Ele gastou como nunca, conseguindo um déficit jamais
visto, 550 Bilhões de dólares, que despencou 6%, em média, em relação as
outras moedas, inclusive o Real.
A China continuou sua marcha sobre a
economia mundial, cresceu 9% e foi protagonista do melhor ano da
economia mundial nos últimos 30 anos.
No mundo da Tecnologia, Steve Jobs e sua
empresa, a Apple, emplacaram mais uma, o iPod, que vendeu 10 milhões de
unidades durante o ano e inaugurou uma nova forma de ouvir música na era
da Internet. Paul Allen (co-fundador da Microsoft) começou a segunda
conquista do espaço, a corrida pelo turismo espacial, agora por empresas
privadas, levando duas vezes a SpaceShipOne ao espaço (100 km de
altura). No cinema,
Michael Moore, ganhou Cannes, perdeu a Eleição para Bush e elevou o
status, e a bilheteria (US$ 200 milhões), do gênero documentário. Walter
Salles e Gael Garcia Bernal encantaram com Diários de Motocicleta. Mel
Gibson levou a maior bilheteria do ano com o Polêmico e, na minha
opinião, sado-masoquista “A Paixão de Cristo”.
No esporte, Ronaldinho
Gaúcho, merecidamente, foi eleito o melhor do mundo pela FIFA. Daiane
dos Santos perdeu a medalha e o mundo do tênis ganhou Maria Sharapova, a
russa que além de saber jogar desfila nas quadras, decotes e pernas a
deixar com inveja muitas top models. Por falar em modelos Gisele
continua no topo, mas estreou mau no cinema, com o fraco “Taxi”.
A natureza também mostrou sua força com o
calor insuportável na Europa, tufões e furacões na América Central e no
final do ano o Tsunami, ondas gigantes de 30 metros de altura, que matou
milhares na Tailândia.
O terror mostrou sua cara novamente, fez
mais de 1300 vítimas, com os inúmeros e quase diários atentados a bomba,
a volta da degola medieval, agora ao vivo pela Internet. E os malucos
aiatolás do Irã em busca da bomba atômica.
Podem me chamar de pessimista, mas para mim,
o fato que vai representar e marcar 2004 é o ato terrorista na escola de
Beslan (Rússia), em que 1200 pessoas, maioria crianças foram mantidas
reféns durante três dias e submetidas a violência gratuita e humilhações
deliberadas, e que o principal objetivo era provocar o maior número de
vitimas, 339 no final do episódio. É o terrorismo na sua pior forma, o
horror verdadeiro mostrando sua cara.
Não há fé nem causa, que justifique
assassinar crianças. Uma sociedade que gera indivíduos capazes desse
tipo de ação, está com problemas sérios, é preciso lidar com isso o
quanto antes. Não com uma cruzada ou guerra contra o terror, como alguns
vem fazendo. Guerra contra quem? Vamos matar suicidas? É premia-los com
seu maior desejo: encontrar a morte. É ai que faltam as idéias que
poderiam ser lembradas e celebradas agora.
Outra matéria
2005!
Mais um ano vai começar
Algum intelectual, que não me lembro do nome
agora, dizia que um ano é a exata medida das nossas esperanças, que
quando elas começam a acabar, o ano acaba junto, assim elas são
renovadas para o ano novo! Não sei se isso é verdade, mas funciona!
Nosso colunista, no seu “Papo cabeça” falou
muito de 2004, assim aqui neste espaço vamos falar um pouco de 2005,
pelo menos o que esperamos dele, com a esperança renovada.
Esperamos um ano melhor, o país, apesar das
atrapalhadas e atropeladas do governo, deve crescer economicamente, as
condições para criação de emprego e melhora da sociedade estão ai, em
São Paulo temos um novo prefeito, e o que esperamos dele? Trabalho e um
pouco de consciência na hora das decisões. Não queremos nenhum plano
mirabolante, nenhuma solução radical, apenas atenção e cuidado na hora
de gastar o dinheiro do povo.
Queremos um mundo menos violento, em que as
pessoas tentem entender melhor os problemas antes de resolvê-los, o
terrorismo é provavelmente o maior deles, a miséria outro. Muitas
tentativas já foram feitas para saná-los, não funcionaram, assim temos
que refletir e repensar o mundo, repensar e mudar também o “nosso mundo”
que é por onde devemos começar.
Relendo esse texto até aqui, chego a
conclusão que minhas esperanças não foram renovadas, senão meus desejos
não seriam tão singelos. No entanto, são desejos para o início de uma
mudança, ou seja, quero que 2005 seja o começo dessa mudança, mas uma
mudança profunda e definitiva. Feliz Ano Novo! Boas novas esperanças! |