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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

DEZEMBRO

Festas de Fim de ano! vcs estão empolgados?

“Adoro essa época do ano, o clima de Natal e Reveillon vai tomando conta das pessoas e deixando todo mundo um pouco mais humano, mais gentil, mais preocupado com o próximo.” quantas vezes vocês já ouviram essa frase? Um clichê só. Mas será que isso acontece realmente? “Adoro essa época do ano, o clima de Natal e Reveillon vai tomando conta das pessoas e deixando todo mundo um pouco mais humano, mais gentil, mais preocupado com o próximo.” Quantas vezes vocês já ouviram essa frase? Um clichê só. Mas será que isso acontece realmente?

Não é o que eu vejo por aí, principalmente no Brasil.

Para começar tem o clima, o meteorológico mesmo, que por essas bandas não combina em nada com o Natal. É o verão chegando, aquele calor insuportável. Sol e congestionamentos para todos os lados. Uma mistura que, na minha opinião, melhor representa o inferno. Sem neve, nem trenó a decoração natalina das casas, bairros inteiros, lojas, shoppings, enfim, de todos os lugares soa ridícula. Neve a 40ºC. Só por aqui mesmo.

Na gastronomia, nem os gordinhos, que adoram todo o tipo de comida gordurosa e nada saudável que é servida nessa época do ano, como leitão, pernil, peru (que nem é tão gorduroso assim, mas também nem é tão gostoso assim), entre outros, consegue comer com todo esse calor.

A gordura que ingerimos nessa época do ano, provavelmente, fica dentro de nós até o Natal do ano que vem. Outro dia ouvi ou li, não me lembro onde, que até a cereja, fruta com uma aparência inofensiva faz mal, ela fica no organismo cerca de sete anos, acredite quem quiser.

As propagandas são um capítulo à parte. Na Tv, nas revistas, no jornal, rádio, cinema, outdoor, busdoor e sei-lá-mais-o-quê-door invadem nossas mentes com as mensagens mais irritantes do já irritante mundo da propaganda. O “espírito chatalino” ou melhor, “natalino” impera em diversos comerciais. Ainda no início de dezembro já estamos até enjoados do Natal, todas falam a mesma coisa, da mesma forma, com os mesmos chapeuzinhos horríveis, o papai e/ou a mamãe-noel tentando ser simpáticos, dizendo frases positivas e edificantes que, de tão politicamente corretos, soam mais falsos que nota de 03 reais.

A trilha sonora das campanhas televisivas tem destaque na minha irritação com tão bela época do ano. São tão meladas que até as abelhas se enganam e atacam a tela do pobre eletrodoméstico. Um monte de criancinhas desafinadas cantando, e o pior que é em coro, afinal para quê um chato só se você pode reunir uma porção deles. (...um Natal, um feliz Natal, muito amor e paz para...) tenho certeza que todos vocês completaram a frase anterior, isso mostra como são chatas e redundantes essas músicas. Elas se impregnam tanto em nossas cabeças que nos pegamos cantando. Isso quando não acrescentam sininhos, renas e os “Rô, Rô, Rô´s” do papai-noel, mamãe-noel, vovô-noel, vovó-noel, dog-noel, papagaio-noel e todos os outros que já foram criados para a família, que ao que parece vai continuar crescendo.

As lojas e os shoppings, onde tem de se comprar as infernais lembrançinhas, são outro destaque. Uma multidão de fazer inveja a qualquer estádio de futebol. Vendedores irritados, afinal estão trabalhando até meia noite todos os dias, estacionamentos lotados, preços descaradamente oportunistas e filas por todos os lados que se olhe.

A única coisa que realmente vale a pena é a ceia de Natal, verdadeiras bombas relógios, que podem explodir a qualquer momento. Uma mistura invejável: muita bebida, muita gente, esposas e maridos, sogros e sogras,

 

Filmes

Simplesmente amor,

de Richard Curtis (Love Actually - Reino unido - 2003).

O amor está por toda parte neste filme, em que Richard, roteirista de sucessos como “Quatro casamentos e um funeral”, “Bridget Jones” e “Um Lugar chamado Nothing Hill” estréia na direção. Na paixão não declarada de uma jornalista por seu colega (Rodrigo Santoro). No dilema de um homem entre trair ou não sua esposa (Emma Thompson) com a secretária. Na angústia do primeiro-ministro inglês (Huhg Grant), que não consegue esconder o que sente por uma funcionária. E até num menino, que quer chamar a atenção da garota mais inatingível da escola, que nem o conhece. Vidas e paixões que se misturam na romântica Londres, durante o Natal.

Papai noel às avessas,

de Terry Zwigoff (Bad Santa - EUA - 2003).

Willie é um Papai Noel bem diferente. Durante as festas de fim de ano, ele trabalha em lojas de departamentos, mesmo odiando crianças. Debaixo da roupa vermelha, que não lhe cai bem, Willie é na verdade um arrombador de cofres que faz um grande assalto todos os anos, na véspera do Natal. Enquanto os clientes voltam para casa, esse "Papai Noel às Avessas" e seu esperto assistente, o anão Marcus, arrombam o cofre da loja. Mas surgem alguns obstáculos e a dupla tem seu assalto anual ameaçado por um gerente de loja desagradável de tão desconfiado, um experiente e inescrupuloso detetive do shopping, uma gostosona fã de Papai Noel e um garoto de oito anos, inocente e desajustado, que decide acreditar que Willie - tão embriagado, sarcástico e criminoso quanto aparenta ser - é o verdadeiro Papai Noel que ele tanto procura.

 

 

Livros

Cântico de Natal / Os Carrilhões,

Charles Dickens (2004 - de 1843 - Editora Martin Claret).

Os historiadores de literatura consideram Charles Dickens uma figura proeminente no romance inglês do século XIX, chegando mesmo alguns a apontá-los como o maior romancista que a Inglaterra já produziu. Sua obra, impregnada de mistério, é aparentada com o romance gótico e constitui um vasto painel melodramático da Londres industrial de 1830-1850. Entre romances e contos, Dickens escreveu várias obras-primas. Sua postura essencialmente sentimental expressou-se com muita nitidez em seus contos de Natal. Cântico de Natal (1843) é quase um conto de fadas; tornou-se parte integrante da mitologia natalina anglo-saxônica. Outro texto de Dickens sobre a mesma temática é Os Carrilhões (1845), incluído neste volume.

 

N Ã O      P E R C A     S E U    T E M P O

Com os infinitos e numerosos especiais de Natal da televisão brasileira. Principalmente os infantis que além de chatos são infantis demais.

   

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