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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

AGOSTO

Micaretas e Picaretas

Não querendo por mais lenha na fogueira na discussão sobre as micaretas, mas tenho alguns pontos relevantes a apresentar sobre esse assunto.

 

Em primeiro lugar sei que existem exceções, mas não me venham apresentar como argumento, pois será um clássico exemplo de como a exceção comprova a regra. Afinal se não fosse uma exceção não estaríamos nem falando nisso.

 

Acho equivocado dizer que as baladas ditas de Playboy são caras: Quanto custa um show do Chiclete num sábado? no mínimo uns R$ 120,00 e olha que vai ser num estacionamento ou pior. Quanto paga-se por um ABADÁ no carnaval em Salvador? tenho amigos que pagaram R$ 800,00. Ainda argumentam que as baladas de SP é que são "elitisadas".

 

O Pobre hoje vê o carnaval de Salvador de Longe, os "pipocas" ainda são agredidos quando tentam participar da festa. Que carnaval do povo é esse em que o pobre é separado do rico por uma corda. Nesse ponto o Carnaval do Rio dá um show: é o rico pagando caro para curtir ao lado do favelado. É o gringo milionário no camarote aplaudindo a arte e o samba do pobre e ainda sai dizendo que é o maior espetáculo da terra. As micaretas são nada mais que máquinas de fazer dinheiro. Todo bom marketeiro sabe que a quantidade baixa os custos. Para as micaretas essa regra não funciona, quanto mais gente, mais caro fica o ingresso ou abadá, numa prova clara de exploração de uma onda, como foi a lambada, como foi o pagode e agora parece ser o Axé. Vamos fazer uma simples comparação:

 

O Pequeno "baladero" paga R$ 60,00 para entrar na mais cara boate de São Paulo (LOTUS) E vai vestindo o que quiser. O "Micareteiro" paga no mínimo R$ 90,00 por um abadá (numa micareta bem mixuruca hein) com infinitos patrocinadores fazendo uma propaganda involuntária. O Pequeno "baladero" é muito bem atendido por garotas lindas e sorridentes, cercado de regalias. O "Micareteiro" tem que ficar se matando para pegar uma Cerveja, quente e que é servida em copo de plástico. O Pequeno "baladero", se não estivesse namorando, conhece uma garota e começa a conversar, se ele for mala, sem chance. O "Micareteiro" nem conhece a garota e já vai trocando fluidos, costumo dizer que vc conhece primeiro a saliva dela, depois a língua e por ultimo a voz, mais nada, nem o nome que provavelmente é falso, sem falar na possibilidade de conhecer primeiro a saliva do seu amigo que acabou de beijá-la saindo do banheiro onde tinha chamado o bom e velho Mr Hugo. O Pequeno "baladero" passa a noite escutando música de vanguarda, com djs e músicos contemporâneos do mundo todo. Já o pobre "Micareteiro" tem que ficar escutando aquele som medíocre, em que a música é ruim e um plágio descarado, eles bebem de todas as fontes sem vergonha nem pudor. Nem vou comentar sobre a pobreza poética e da redundância das letras e dos acordes musicais. Por fim o "baladero" pega seu carro, com segurança, com um educado manobrista e o "Micareteiro" acaba tem que trocar socos com uns trogloditas que estão socando um dos seus melhores amigos, que já está desacordado no meio da poça de cerveja e mijo que fica no chão.

 

O mais engraçado é que os "micareteiros" não percebem isso. Se tornam tão fanáticos que formam verdadeiras romarias para acompanhar "ASA, Chiclete ou Ivete". Vira Religião, o cara não pode perder uma senão fica desesperado, nem chegaram de Salvador e já estão combinando e pagando o próximo ano. Esse fanatismo os torna surdos, pois não conseguem separar o "joio do trigo" na música,  onde alguns artistas são razoáveis e outros são picaretas puros, que pegam musicas conhecidas, fazem uma versão porcaria e estouram de ganhar dinheiro (Alguém pensou em inimigos da HP?).

 
Livros

Mulheres

Cacá Fernandes - Editora K2 - R$25,00 (2004). Passando longe da ética, vou indicar nessa coluna meu segundo livro, que narra a história de Karl, único personagem masculino do livro, engolido pelo mundo complicado de uma família muito poderosa e só de mulheres. O romance nos leva a um passeio pela noite de São Paulo e pelo mundo dos ricos e famosos, além da tentativa de desvendar o tão misterioso mundo feminino. Em 2000 “Invisíveis” foi publicado. Ficção científica que discute novas tecnologias, seu impacto na sociedade e a falta de privacidade dos indivíduos no ano de 2050.

Compre este livro na internet:

           

 

 

N Ã O      P E R C A     S E U    T E M P O

Com os novos enlatados americanos, que estréiam só para tapar o buraco das férias do enlatados que realmente fazem sucesso

   

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