Não querendo por
mais lenha na fogueira na discussão sobre as micaretas, mas tenho alguns pontos relevantes a
apresentar sobre esse assunto.
Em primeiro lugar
sei que existem exceções, mas não me venham apresentar como argumento,
pois será um clássico exemplo de como a exceção
comprova a regra. Afinal se não fosse uma exceção não estaríamos nem
falando nisso.
Acho equivocado
dizer que as baladas ditas de Playboy são caras: Quanto custa um show
do Chiclete num sábado? no mínimo uns R$ 120,00 e olha que vai ser num
estacionamento ou pior. Quanto paga-se por um ABADÁ no carnaval em
Salvador? tenho amigos que pagaram R$ 800,00. Ainda argumentam que as
baladas de SP é que são "elitisadas".
O Pobre hoje vê o
carnaval de Salvador de Longe, os "pipocas" ainda são agredidos quando
tentam participar da festa. Que carnaval do povo é esse em que o pobre
é separado do rico por uma corda. Nesse ponto o Carnaval do Rio dá um
show: é o rico pagando caro para curtir ao lado do favelado. É o
gringo milionário no camarote aplaudindo a arte e o samba do pobre e
ainda sai dizendo que é o maior espetáculo da terra. As micaretas são
nada mais que máquinas de fazer dinheiro. Todo bom marketeiro sabe que
a quantidade baixa os custos. Para as micaretas essa regra não
funciona, quanto mais gente, mais caro fica o ingresso ou abadá, numa
prova clara de exploração de uma onda, como foi a lambada, como foi o
pagode e agora parece ser o Axé. Vamos fazer uma simples comparação:
O Pequeno "baladero"
paga R$ 60,00 para entrar na mais cara boate de São Paulo (LOTUS)
E vai vestindo o que quiser. O "Micareteiro" paga no mínimo R$ 90,00 por um
abadá (numa micareta bem mixuruca hein) com infinitos patrocinadores
fazendo uma propaganda involuntária. O Pequeno
"baladero" é muito bem
atendido por garotas lindas e sorridentes, cercado de regalias. O "Micareteiro"
tem que ficar se matando para pegar uma Cerveja, quente e que é
servida em copo de plástico. O Pequeno "baladero", se não estivesse
namorando, conhece uma garota e começa a conversar, se ele for mala,
sem chance. O
"Micareteiro" nem conhece a garota e já vai trocando fluidos,
costumo dizer que vc conhece primeiro a saliva dela, depois a língua e
por ultimo a voz, mais nada, nem o nome que provavelmente é falso, sem
falar na possibilidade de conhecer primeiro a saliva do seu amigo que
acabou de beijá-la saindo do banheiro onde tinha chamado o bom e velho
Mr Hugo. O Pequeno
"baladero" passa a noite escutando música de
vanguarda, com djs e músicos contemporâneos do mundo todo. Já o pobre
"Micareteiro" tem que ficar escutando aquele som medíocre, em que a música é
ruim e um plágio descarado, eles bebem de todas as fontes sem vergonha
nem pudor. Nem vou comentar sobre a pobreza poética e da redundância
das letras e dos acordes musicais. Por fim o
"baladero" pega seu carro,
com segurança, com um educado manobrista e o
"Micareteiro" acaba tem que trocar
socos com uns trogloditas que estão socando um dos seus melhores
amigos, que já está desacordado no meio da poça de cerveja e mijo que
fica no chão.
O mais engraçado é que os
"micareteiros" não percebem isso. Se tornam tão fanáticos que formam
verdadeiras romarias para acompanhar "ASA, Chiclete ou Ivete". Vira
Religião, o cara não pode perder uma senão fica desesperado, nem
chegaram de Salvador e já estão combinando e pagando o próximo ano.
Esse fanatismo os torna surdos, pois não conseguem separar o "joio do
trigo" na música, onde alguns artistas são razoáveis e outros são
picaretas puros, que pegam musicas conhecidas, fazem uma versão
porcaria e estouram de ganhar dinheiro (Alguém pensou em inimigos da
HP?).