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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

 

OUTUBRO - 2004

 

Os Condomínios fechados e os políticos

            São vários os políticos arujaenses que desabafam e declaram sentir forte pressão contra qualquer tipo de projeto, obra ou benefício para a região dos condomínios, por parte dos eleitores de outras áreas,  “Do outro lado da Dutra”. Segregando a cidade em duas regiões separadas pela dutra. Sendo o Lado de cima, pobre e o lado de baixo rico.

            “Defensores de ricos” é a acusação mais citada pelos políticos que constatam tal fato, caso fizessem alguma coisa pelos condomínios.

            O que esses eleitores não entendem é que em termos de gastos públicos,  os moradores dos condomínios são os que menos dependem da prefeitura, afinal já existe na administração dos condomínios da região a cultura da realização de obras e manutenção de algumas coisas que seriam responsabilidade da Prefeitura.

            O Condômino não usa a guarda municipal, nem a estadual, não usufrui da limpeza das  ruas nem da manutenção do asfalto. Até a coleta de lixo, em alguns casos, é feita pelos condomínios e de forma seletiva, ambientalmente responsável. No Entanto, contribui com um IPTU mais alto que qualquer outra região do município.

            Percebo uma certa esquizofrenia fiscal, onde quem paga mais, leva menos, tenho consciência de que, em nosso município, existe uma parcela menos abastada da população que necessita de maior atenção dos nossos candidatos eleitos, o problema está no fato de isso se tornar regra, transformando em  “crime eleitoreiro” fazer e/ou trazer qualquer benefício para esses eleitores que tanto contribuem para o progresso e o desenvolvimento da cidade. Problema ainda maior é que isso parece ser um consenso nacional, vemos isso em diversas regiões do país com total apoio do Governo Federal.

            Portanto candidatos acusados de serem “defensores dos ricos”, “Esse só olha para o lado de lá da Dutra” ou “Candidato dos condomínios”, não se aflijam, plagiando o evangelho MT 11,30, “Os condomínios tem um jugo suave e suas cargas são leves”.

 

 
Livros

Politicamente Corretíssimo

Ipojuca Pontes (Editora TopBooks, 206 Páginas - R$ 28,00)

Coletânea de ensaios publicados em alguns dos mais importantes jornais do país. Ipojuca escreve sobre diversos assuntos obedecendo uma lógica didática. É ler e aprender. São ensaios sobre política, sociologia, e até “causos” que tornam-se interessantes por oferecer exemplos de cultura. “Ipojuca expressa seus pensamentos originais de forma simples e direta, agregando-lhes os conhecimentos adquiridos ao longo da vida e a elegância de um estilo muito pessoal”.

   
Moinho, Esmola, moeda, limão: Conversa em família,

Bolivar Lamounier (Editora Augurium, 431 Páginas - R$100,00).

A idéia de progresso é o pano de fundo deste livro, que contrasta duas percepções da história. Uma pessimista e nostálgica de um passado distante, hostiliza a modernidade e a sociedade industrial. Outra, otimista, saúda o domínio da natureza, vendo a ciência e a indústria como caminhos para a humanidade alcançar níveis cada vez mais altos de convívio e relacionamento. Um dos maiores cientistas políticos do Brasil, num livro bem mais descontraído e leve. A academia vai torcer o nariz, mas os leitores vão adorar.

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Cinema
OLGA de Jayme Monjardim. Baseado no Romance homônimo de Fernando Moraes narra a vida e os ideais da militante comunista Olga Benário Prestes. Da infância burguesa na Alemanha à morte numa das câmaras de gás de Hitler. Numa missão conhece e se apaixona por Luiz Carlos Prestes. Esse o foco do filme, que tem pouca política. Monjardim gasta um caminhão de dinheiro, mas não consegue boa cinematografia. Podia facilmente ser uma grande minissérie da Globo, ou seja vale o ingresso mas não provoca grandes indagações políticas e sociais. É muito difícil acreditar nos ideais comunistas, hoje que sabemos o fim dessa história. Camila Morgado empolga e sua beleza e interpretação impressionam. Filme que vai representar o Brasil no Oscar 2005.

 

FAHRENHEIT 11/9,

Michael Moore (Já fora das salas do cinema, em breve nas locadoras.).

Mais forte e descarada arma de ataque dos democratas ao atual presidente americano Bush e aos Republicanos. Talvez esse seja seu grande trunfo, não esconder nada, nem sua intenção principal: imbecilizar e desmoralizar o Inimigo global da esquerda, o grande Bush, ou melhor, o pequeno Bush, já que é o filhinho do Bush pai. É engraçado e corajoso, mas temos que fazer uma ressalva a intensa manipulação do espectador, mesmo que concordemos com algumas idéias. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes, num claro gesto político do Festival.

 

N Ã O      P E R C A     S E U    T E M P O

Com Horário Político Gratuito, em qualquer veículo de comunicação.
   

I Litle more:

 Ipojuca Pontes iniciou-se no Jornalismo em 1962 como colunista diário do Correio da Paraíba, passando pelo Diário de Pernambuco e Diário Carioca como crítico de cinema. No Estado de S.Paulo e no Jornal da Tarde sempre escreveu sobre política e cultura. Participou do conselho de criação da TV Educativa e foi debatedor do programa “Sem Censura”. Homem de cinema dos mais atuantes nos anos 70/80 produziu e dirigiu dezenas de filmes, participando sempre de festivais de grande importância como: Veneza, Berlim e Cannes. Além do reconhecimento nacional. Entre os documentários destacam-se: “O Homem do Caranguejo”; “Poética popular”; “Renderas do Nordeste”; “Cidades históricas”; etc. Entre os Longas-metragens: “Canudos”(1978) “ A volta do Filho pródigo” (1980); “Pedro Mico” (1985) este último premiado mundialmente, tendo Pelé como protagonista. A convite de Fernando Collor de Mello (Presidente da Republica na época) aceitou dirigir a Secretária Nacional de Cultura, onde tenta modificar os vínculos entre órgãos de cultura oficial e uma elite cultural viciada em benesses extraídas dos cofres públicos, propondo isenção fiscal para produção de obras cinematográficas, dos ganhos decorrentes de transações realizadas em mercado, via bolsa de valores. Volta ao teatro produzindo e dirigindo grandes sucessos como: “Um edifício chamado 200”; “O Homem da La Mancha”; “Um bonde chamado desejo” e “Encontro no mercado”. Como escritor humanista, apóia-se sobre grandes mestres russos, e repassa para seus leitores sinais de entendimento da vida atual. Além de “Politicamente Corretíssimo” (indicado acima) escreveu: “Cultura e Desenvolvimento”, “Cinema Cativo”, “Brasil Filmes S/A” e o roteiro de “Pedro Mico”. Quem lê Ipojuca sabe que a insanidade política não é um dado atual, mas sim uma herança longeva .
   

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Festas de fim de ano! Empolgados? - Dezembro
Fique de olho nos políticos - Novembro
Do que orlando me disse - Outubro
Filmes para adultos de qualidade - Setembro
Micaretas e picaretas - Agosto
Lula e seu partido trapalhão - Julho
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2004
A verdade ao longo da história - Dezembro / 2004
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Os condomínios fechados e os políticos - Outubro / 2004
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