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PAPO CABEÇA

por Cacá Fernandes

Coluna Mensal num pequeno jornal de Arujá, que circula nos condomínios da Região. Podendo discutir qualquer tipo de assunto, o lema é liberdade de expressão e sempre tive liberdade para escrever o que me viesse a cabeça.

 

AGOSTO - 2004

 

Sexo ainda vende, e muito

Sexo vende muito! Isso não é novidade nenhuma e nem é um assunto muito interessante para essa coluna. Vamos aqui discutir apenas uma parte desse problema que é a exploração artística do sexo precoce.
Desde o lançamento de Lolita de Vladimir Nabokov, muitos livros trataram do assunto, que já poderíamos considerar esgotado se não fosse a nova onda de lançamento de livros e filmes com o mesmo tema.
Os mais bem sucedidos até agora foram: Hell Paris 75016, da jovem Francesa Lolita Pille, que até o nome copiou do clássico de Nabokov; Cem escovadas antes de ir para a cama, da italianinha de 16 anos Melissa Panarello, bem mais erótico, porém menos chocante e Política de Adam Thirwell . Alguns filmes também seguem essa tendência como o interessante Aos Treze e o polêmico Kids.
O que diferencia essa nova onda é o fato de as próprias adolescentes escreverem os livros, e no caso do filme o roteiro. Fato simples que mostra uma mudança mais complexa. Não é mais o “velho-babão” ou o pedófilo que “sexualiza” a pobre menina. Ao contrário, mostram uma maturidade sexual cada vez mais precoce. Bem diferente da antiga menina que é sensual, hoje elas não apenas são, como entendem o que é ser. Mostrando o sintoma, a tempos discutido pela sociedade, da sexualização precoce provocada pelos veículos de comunicação.
Nesse sentido o Brasil é provavelmente o país mais antagônico do mundo, aqui é crime inafiançável apenas “ver” pedofilia, seja pela internet ou em fotos, mas ainda exploramos o Turismo-Sexual como ninguém, muitas vezes a custas da exploração de meninas de menos de 15 anos.
O mundo da moda tem destaque nesse assunto, pois impõe um padrão de beleza quase infantil. O que eu chamo de “Pedofilia-Institucionalizada”, afinal a lei não prevê um relacionamento com menores de idade, mas a mídia bombardeia a população com imagens de “crianças” em contextos explicitamente eróticos, como na celebre campanha da Calvin Klein com a Super modelo Kate Moss, polêmico e proibido em diversos países. Basta ver qualquer revista ou desfile de moda para perceber que nenhuma modelo tem mais de 15 anos ou pelo menos não aparenta ter. O Brasil, de novo, é o país que mais exporta modelos para o mercado internacional, às vezes com menos de 13 anos. Mas isso já é assunto para outra coluna.

 

Livros
Talvez o maior sucesso desse erotismo precoce na literatura atual, Cem escovadas antes de ir para a cama, da adolescente siciliana Melissa Panarello (Editora Objetiva, 157 Páginas - R$ 19,90) no topo das listas de mais vendidos. Narra, em forma de diário, as experiências sexuais de uma adolescente entre os 15 e 16 anos, idade da autora quando escreveu o livro, que se entrega aos excessos carnais e a orgias regadas a drogas, sadomasoquismo e homossexualismo. Essa característica auto-biográfica talvez seja seu maior atrativo. “Uma lolita para maiores” segundo o La Republica.

 
“Eu sou uma putinha. Daquelas mais insuportáveis; da pior espécie. Meu Credo: Seja bela e consumista” declara na capa e logo nas primeiras páginas de Hell - Paris 75016 (Editora Intrinseca, 205 paginas R$ 34,00) a protagonista, que é um alter ego da escritora francesa Lolita Pille, despreza os que não pertencem ao meio e faz sexo como quem troca de roupa. Faz um relato cínico da juventude parisiense do terceiro milênio. Menos erótico choca pelo realismo.
 
Lolita de Vladimir Nabokov (Cia das Letras, 356 Páginas - R$ 42,00). Obra prima que já se tornou um clássico e soa ingênuo perto dos lançamentos acima descritos. De um erotismo quase romântico narra a história de Um homem de meia-idade, obsessivo e único. Uma garota de doze anos perversamente ingênua e sensual. Numa viagem pelo mundo do sexo e da consciência do protagonista. Podemos afirmar que serviu de inspiração para essa nova geração.
 
 
Cinema
AOS TREZE ( Thirteen , EUA/ Reino Unido , 2003 - Somente nas locadoras). No auge de sua adolescência, aos 13 anos, Tracy (Evan Rachel Wood) é uma menina esperta que tem boas notas na escola. Quando torna-se amiga de Evie (Nikki Reed) conhece o sexo e as drogas. Seu mundo começa a implodir, com os conflitos que tem com a mãe, Melanie (Holly Hunter), com seus professores e com seus antigos amigos. Melhor Direção no Sundance de 2003.
 
Lolita de STANLEY KUBRICK (Preto e Branco - 153 min - R$ 48,00) Adaptação do polêmico livro homônimo de Vladimir Nabokov, o filme narra a paixão de Humbert Humbert (James Mason), um quarentão europeu, por Lolita, uma pré-adolescente. Que o leva a loucura. Clássico do cinema que já teve seu re-make holiwoodiano com Jeremy Irons e Dominique Swain. Péssimo.
 

N Ã O      P E R C A     S E U    T E M P O

Não perca seu tempo ouvindo nenhuma das lolitas-teen do cenário pop musical, onde a rainha Britney Spears tem seguidoras menos famosas como Cristhina Aguilera, Jessica Simpson e Mandy Moore. Até os europeus tem sua Lolita-pop, seu nome é Alizee e faz muito sucesso no velho mundo. No Brasil temos Vanessa Camargo e Kelly Key que também não merecem seu tempo.
   

I Litle more:

A Participação dos Leitores é muito importante e já começou. Alguns leitores, mais apaixonadas por Camões, insistiram numa melhor apresentação do maior poeta da Língua Portuguesa, pedido que atendemos com orgulho.
Luis Vaz de Camões nasceu em Lisboa por volta de 1525, apesar de origem humilde teve educação esmerada e fez diversos cursos de arte. Alistando-se soldado perdeu um olho em combate em Ceuta. Viveu de forma aventureira, viajou muito e foi preso diversas vezes. Numa de suas viagens naufraga nas costas da Cochinchina, salvando-se a nado com os manuscritos de Os Lusíadas. Seu grande poema épico que é considerada sua obra-prima. Foi muito pobre, escreveu muito. Morreu em 1580 deixando entre Poemas épicos, redondilhas e sonetos líricos, peças teatrais e cartas uma das maiores obras da nossa língua.
   

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